PP Gaúcho rompe com Eduardo Leite e se aproxima do PL, sinalizando realinhamento da direita no Rio Grande do Sul
A política do Rio Grande do Sul vivencia uma reviravolta significativa com a decisão do diretório estadual do PP (Progressistas) de indicar o desembarque do governo de Eduardo Leite (PSD) e buscar uma aliança com o PL para as eleições de outubro. O partido, que detém o maior número de filiados e prefeituras no estado, foi peça fundamental em ambas as gestões de Leite, mas agora sinaliza um distanciamento estratégico.
A tendência é que o apoio ao deputado federal Luciano Zucco (PL), líder da oposição na Câmara, seja formalizado em convenção no mês de julho. Essa articulação representa um movimento de unificação da direita gaúcha em torno de uma candidatura que busca confrontar o cenário político atual, com fortes implicações para o futuro do estado.
A decisão do PP, que contou com ampla aprovação em seu diretório, com 107 votos a favor da aliança com o PL e apenas 2 pela composição com o MDB, além de 91 votos favoráveis à saída do governo, foi divulgada após o indicativo de aliança com o PL. Conforme informação divulgada pelo partido, o PP deve, contudo, manter uma candidatura própria ao governo estadual, tendo escolhido o nome do presidente estadual Covatti Filho, que obteve 109 votos contra 8 do deputado Ernani Polo. Uma pesquisa a ser realizada entre março e abril definirá o potencial eleitoral e o cenário mais viável para a chapa. O partido que não encabeçar a chapa indicará o vice-governador e uma vaga ao Senado. A articulação também considera a possibilidade de indicar o vice e um nome para o Senado na chapa de direita, que já conta com os pré-candidatos Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo), sendo este último considerado um nome garantido na disputa. A fala do senador Flávio Bolsonaro, que elogiou a articulação e defendeu um projeto unificado da direita, reforça a nova configuração política. Eduardo Leite reconheceu a legitimidade do PP em buscar protagonismo e aguarda reunião para discutir a saída do governo, enquanto Covatti Filho ressaltou a necessidade de posicionamento do partido em um cenário de polarização crescente, afirmando que “em cima do muro não existe mais, não tem mais espaço dentro da política”.
Aliança com o PL e candidatura própria: a estratégia do PP
Apesar da forte tendência de aliança com o PL, o PP gaúcho não descarta a possibilidade de lançar candidatura própria ao governo do estado. O nome escolhido pelo partido para encabeçar essa potencial chapa é o do presidente estadual, Covatti Filho. Ele obteve 109 votos no diretório, superando Ernani Polo, que recebeu 8 votos. Essa decisão demonstra a intenção do partido em buscar protagonismo.
Para definir o melhor caminho, entre março e abril será realizada uma pesquisa detalhada. O levantamento analisará o potencial eleitoral, a rejeição e os diferentes cenários de disputa. O objetivo é identificar qual candidatura possui as melhores condições para liderar o projeto da direita no estado. Caso o PP não encabece a chapa majoritária, o partido indicará a vaga de vice-governador e uma das vagas ao Senado.
O cenário da direita gaúcha e as ambições nacionais de Leite
A articulação do PP se insere em um contexto de formação de uma chapa de direita mais ampla. Além do PL, a possibilidade de alianças inclui nomes como os deputados Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). Este último é visto como um nome com grande potencial e praticamente garantido na disputa. A decisão do PP foi elogiada pelo senador Flávio Bolsonaro, que defendeu a união da direita para “resgatar a dignidade dos nossos irmãos gaúchos, que foram abandonados pela esquerda de Lula no momento em que mais precisavam”.
Eduardo Leite, por sua vez, busca se posicionar como uma figura de centro e de antipolarização, crítico tanto de Jair Bolsonaro quanto de Lula. No entanto, o governador gaúcho tem ambições nacionais e disputa a liderança do PSD com outros governadores. A tendência atual é que Leite concorra ao Senado, enquanto a prioridade de seu governo é a construção da candidatura de seu sucessor, o vice-governador Gabriel Souza (MDB).
Mudança de rumo e a memória das últimas eleições
A decisão do PP representa uma mudança de postura para o partido, que nas últimas duas eleições enfrentou dificuldades para concretizar suas ambições de protagonismo no Rio Grande do Sul. Em 2018, o partido abriu mão de lançar Luis Carlos Heinze como candidato ao governo devido a um acordo nacional, resultando na aliança com Eduardo Leite. Heinze acabou disputando e se elegendo ao Senado.
Quatro anos depois, em 2022, Heinze conseguiu viabilizar sua candidatura ao governo, mas obteve um resultado aquém do esperado, em parte pela preferência de Jair Bolsonaro por Onyx Lorenzoni. Atualmente, Onyx Lorenzoni está no PP, mas não foi mencionado como potencial candidato pelo diretório. Heinze ainda não definiu suas perspectivas políticas para este ano.