Copa do Mundo sofre com política de vistos: hotéis americanos em baixa, México e Canadá em alta
A tão aguardada Copa do Mundo, que se inicia nesta quinta-feira, já revela um perdedor nos Estados Unidos: o setor hoteleiro. As 11 cidades americanas que sediarão os jogos registram uma taxa de ocupação de hotéis decepcionante, ficando atrás das cinco cidades co-anfitriãs no México e no Canadá, que apresentam um fluxo consideravelmente maior de reservas.
Este cenário desfavorável é amplamente atribuído à política restritiva de vistos e imigração implementada pelo governo Trump. Tais medidas têm afastado torcedores de diversas nacionalidades, levando-os a optar por destinos como México e Canadá para acompanhar o torneio.
A situação é preocupante, com relatos de delegações enfrentando proibições de entrada e dificuldades na obtenção de vistos, impactando diretamente o fluxo turístico e, consequentemente, a ocupação hoteleira. Conforme informação divulgada pela empresa CoStar, especializada em dados do setor hoteleiro, cidades como Vancouver e Guadalajara lideram em procura, com 48% das vagas de hotéis preenchidas, enquanto as cidades americanas, com exceção de Los Angeles, não ultrapassam os 40% de ocupação.
Impacto direto das restrições de vistos no setor hoteleiro
A política de vistos restritiva tem sido um fator determinante para a queda na ocupação hoteleira nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa da Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA), cerca de 80% dos proprietários de hotéis relataram que as reservas ficaram abaixo das expectativas iniciais. Setenta por cento deles afirmaram que as restrições de vistos e as preocupações geopolíticas reduziram significativamente a demanda internacional.
A presidente da AHLA, Rosanna Maietta, ressaltou a necessidade de uma experiência acolhedora para os viajantes estrangeiros: “Uma série de fatores moderou o otimismo inicial, embora indicadores mostrem que ainda há oportunidades significativas pela frente. Para concretizar esse potencial, os EUA e a Fifa devem garantir uma experiência acolhedora e tranquila para os viajantes estrangeiros”.
Incidentes hostis e o temor do turista estrangeiro
Além das restrições burocráticas, incidentes ocorridos em aeroportos americanos têm gerado apreensão. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan foi barrado pela imigração após ser interrogado por 11 horas, e o atacante iraquiano Aymen Hussein ficou retido por sete horas em Chicago, sob a alegação de uma confusão de identidade. Esses episódios alimentam o temor de revistas rigorosas e deportação, desmotivando o turista.
A queda no setor turístico, segundo a fonte, começou a ser detectada no segundo mandato de Trump, com a proibição de entrada de cidadãos de 39 países e a interrupção de vistos de imigração em 75 nações. Essa política se impôs à Fifa, que se mostra inoperante diante das barreiras impostas pelo governo americano.
Fatores adicionais afastam torcedores e impactam a economia
Outros fatores, como o preço exorbitante de ingressos e os altos custos de transporte, também contribuem para o distanciamento de torcedores e turistas do evento nos Estados Unidos. A combinação dessas questões cria um cenário desafiador para o setor hoteleiro americano, que esperava um grande fluxo de visitantes com a realização da Copa do Mundo.
A expectativa é que, apesar dos desafios, a Fifa e as autoridades americanas trabalhem para mitigar esses problemas e garantir uma experiência positiva para os fãs que conseguirem viajar, buscando reverter o quadro atual e impulsionar a economia local, que depende fortemente do turismo gerado por eventos de grande porte como a Copa do Mundo.