PL de São Paulo: Crescimento na Alesp Desperta Receios e Conflitos na Bancada
O Partido Liberal (PL) em São Paulo está no centro de uma polêmica interna devido aos seus planos ambiciosos de expandir sua base de apoio na Assembleia Legislativa (Alesp). A legenda, que atualmente conta com 19 deputados, almeja atrair pelo menos mais quatro parlamentares durante a janela partidária em março. O objetivo é dobrar sua influência, passando a responder por metade da base de sustentação do governador Tarcísio de Freitas na Casa.
Essa estratégia, segundo lideranças do PL, visa fortalecer a posição do partido nas negociações políticas, especialmente para garantir a vaga de vice-governador para André do Prado, atual presidente da Alesp. No entanto, a movimentação tem gerado descontentamento e apreensão entre os deputados que já pertencem ao partido e que buscarão a reeleição neste ano, ou que planejam concorrer a cargos na Câmara dos Deputados.
A preocupação central reside no potencial “congestionamento” de membros do mesmo partido, o que poderia fragmentar o eleitorado e dificultar a eleição de todos. A possibilidade de novos nomes se juntarem à sigla, como os deputados estaduais Oseias de Madureira (PSD), Paulo Correa Júnior, Marcelo Aguiar e Eduardo Nóbrega (ambos do Podemos), já acendeu alertas dentro da própria bancada. Conforme apurado, as negociações para atrair esses parlamentares foram tema de divergências em reuniões recentes, evidenciando o clima de tensão. A notícia foi divulgada por fontes internas e reportada por veículos de imprensa.
Conflitos por Representação Regional e Votos
Um dos pontos de atrito mais evidentes surge com a possível filiação de Paulo Correa Júnior, que detém sua base eleitoral no litoral paulista. Essa região já conta com a representação de deputados do PL, como Paulo Mansur e Tenente Coimbra, o que levanta questionamentos sobre a divisão de votos e a pulverização de apoios.
O receio é ainda maior entre os parlamentares que, na eleição passada, obtiveram votações abaixo de 100 mil votos. Estimativas internas do próprio PL indicam que a nota de corte para a eleição deste ano pode ficar em torno de 70 mil votos. Esse cenário aumenta a insegurança dos que já estão na sigla, pois a entrada de novos membros pode diminuir suas chances individuais de reeleição, considerando a concorrência interna por um número limitado de vagas.
André do Prado Reafirma Força da Bancada Ampliada
Diante das preocupações manifestadas por parte da bancada, André do Prado, presidente da Alesp e figura chave nas negociações, buscou minimizar os receios. Ele argumentou que o fortalecimento da bancada do PL na Assembleia Legislativa é benéfico para todos os seus membros, independentemente da origem da filiação.
“Os deputados ficam preocupados, mas quanto mais forte a bancada, iremos ter mais deputados eleitos”, rebateu André do Prado. A declaração busca tranquilizar os parlamentares atuais, enfatizando que o aumento do número de representantes do partido pode, na verdade, potencializar o alcance e a força política da legenda como um todo, gerando um efeito positivo nas eleições futuras e na capacidade de negociação com o governo estadual.