PGR se manifesta pelo arquivamento de inquérito contra senador Chico Rodrigues após acharem dinheiro na cueca

O Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o arquivamento do inquérito que investigava o senador Chico Rodrigues (PSB-RR) em relação ao dinheiro encontrado em sua cueca durante uma operação da Polícia Federal em 2020. A decisão se baseia na alegação de ausência de provas concretas que demonstrem a origem ilícita dos valores.

A manifestação, enviada em 28 de dezembro ao ministro Flávio Dino, relator do caso no STF, destaca que, apesar da forma incomum como o dinheiro foi encontrado, não foi possível comprovar que os recursos tivessem procedência criminosa. A PGR ressalta que, sem a demonstração mínima da origem criminosa, o crime de lavagem de dinheiro não se configura.

É importante notar que o pedido de arquivamento é parcial. A Procuradoria-Geral da República também solicitou o envio do caso para a Justiça Federal de Roraima, a fim de que sejam investigados outros fatos que ainda demandam apuração, como possíveis direcionamentos de contratações emergenciais e indícios de superfaturamento e peculato.

Investigação sobre dinheiro em espécie e a falta de comprovação de ilicitude

O senador Chico Rodrigues foi indiciado pela Polícia Federal em 2021, sob suspeita de envolvimento em desvio de recursos públicos destinados ao combate da Covid-19. Durante a operação realizada em outubro de 2020, foram encontrados cerca de R$ 30 mil em espécie na residência do parlamentar, incluindo valores localizados em cofres e nas suas vestes íntimas. No entanto, o PGR Gonet afirmou que não foi possível demonstrar a proveniência ilícita do dinheiro apreendido.

Gonet também ponderou que o simples fato de o parlamentar ter escondido o dinheiro não caracteriza, por si só, uma tentativa de atrapalhar as investigações. Ele explicou que a configuração do crime de embaraço à investigação de organização criminosa exige a demonstração concreta de que a ocultação teve o objetivo específico de frustrar ou dificultar a apuração de uma infração penal ligada a uma organização criminosa.

Operação Desvid-19 e o contexto das emendas parlamentares

A operação que levou à descoberta do dinheiro com Chico Rodrigues foi a Operação Desvid-19, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU). O objetivo principal da ação era coletar informações sobre o desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares, que eram destinados ao enfrentamento da pandemia de Covid-19 e administrados pela Secretaria de Saúde de Roraima. Na época, Chico Rodrigues ocupava o cargo de vice-líder do governo Bolsonaro no Senado.

Recentemente, foi noticiado que a destinação de emendas parlamentares para a própria Polícia Federal disparou, atingindo R$ 37 milhões apenas em 2025, o maior volume captado pelo órgão desde 2020. Esse montante incluiu recursos enviados por congressistas investigados pela corporação, como é o caso do senador Chico Rodrigues. A assessoria do senador afirmou que a destinação de emendas para a PF, em seu estado, deve ter sido um pedido da superintendência local, e que é uma prática comum anualmente.

Senador nega envolvimento em atos ilícitos

O senador Chico Rodrigues tem consistentemente negado qualquer envolvimento em atos ilícitos. Em declarações anteriores, ele tem defendido sua atuação e a legalidade de suas ações. A defesa do parlamentar argumenta que a origem dos valores encontrados não pode ser comprovada como ilícita, o que fundamenta o pedido de arquivamento do inquérito principal.

Apesar do pedido de arquivamento relacionado ao dinheiro encontrado na cueca, a apuração sobre possíveis irregularidades em contratações e superfaturamento em Roraima continuará sob análise da Justiça Federal local, indicando que a investigação sobre o senador Chico Rodrigues ainda não chegou ao seu fim completo.