A Polícia Federal cumpre, nesta quinta-feira (13), um mandado de busca e apreensão contra o advogado Nelson Wilians, em São Paulo. A ação faz parte da Operação Arena, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo recursos provenientes de jogos de azar e apostas esportivas.
Ao todo, a operação cumpre 17 mandados de busca e apreensão em cinco estados. A Justiça também autorizou o sequestro de bens e valores que pode chegar a R$ 1,1 bilhão. A ordem judicial contra Wilians foi expedida pela 4ª Vara Federal da Paraíba. Segundo informações divulgadas pelo g1, o advogado é investigado sob suspeita de ter atuado como operador financeiro do grupo e na suposta ocultação de bens.
Investigação mira estrutura financeira no exterior
A Operação Arena é realizada pela PF em conjunto com o Ministério Público Federal, a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.
As investigações apuram um grupo empresarial suspeito de utilizar empresas e estruturas financeiras no exterior para ocultar a origem e o destino de valores relacionados a jogos de azar e apostas esportivas.
De acordo com os investigadores, empresas constituídas fora do Brasil teriam sido utilizadas para justificar grandes remessas internacionais, apesar de não apresentarem atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.
O esquema investigado também teria utilizado instituições de pagamento, operações de câmbio e ativos digitais como forma de dificultar o rastreamento do dinheiro.
PixBet está entre as empresas investigadas
Entre as empresas que aparecem na investigação está a PixBet, da Paraíba. As apurações também envolvem a PixStar, sediada em Curaçao, e teriam identificado transferências e pagamentos entre as duas companhias.
As investigações tiveram início em 2022, quando autoridades passaram a apurar a atuação de pessoas físicas e jurídicas de Campina Grande (PB) na comercialização de créditos de jogos online hospedados no exterior e na exploração de apostas esportivas antes da regulamentação do setor no Brasil.
Segundo os investigadores, empresas mantidas na Costa Rica e em Curaçao teriam sido utilizadas não apenas para desenvolver atividades relacionadas às apostas, mas também para dar aparência de legalidade às operações e justificar transferências internacionais.
Suspeitas incluem evasão de divisas e blindagem patrimonial
A apuração também investiga possíveis crimes e irregularidades como blindagem patrimonial, evasão de divisas, omissão de rendimentos e planejamento tributário abusivo. Outro ponto investigado é se recursos provenientes das atividades consideradas ilícitas teriam sido utilizados para o pagamento da outorga necessária à autorização para atuação no mercado de apostas.
Nelson Wilians é alvo da operação
Dentro desse contexto, a Polícia Federal investiga a possível participação de Nelson Wilians na movimentação financeira do grupo. Os investigadores apuram se o advogado teria atuado como operador financeiro e na ocultação de patrimônio. A operação ocorre semanas depois de Wilians ter sido alvo de outra investigação. Em julho, o advogado foi citado em uma ação relacionada a supostas fraudes envolvendo créditos de ICMS nos estados de São Paulo e do Paraná.
As suspeitas investigadas pela Operação Arena ainda serão submetidas ao avanço das apurações e às decisões da Justiça. O fato de uma pessoa ou empresa ser alvo de busca e apreensão não significa, por si só, que tenha sido condenada ou que as acusações estejam comprovadas.