Paratleta atropelada em corrida de rua em Manaus declara ter sorte por sobreviver a motorista embriagado

A paratleta Marleide Sales da Silva, de 52 anos, viveu momentos de terror durante uma corrida de rua em Manaus, celebrada em homenagem ao Dia da Mulher. O que era para ser um dia de celebração e esporte se transformou em um pesadelo quando Marleide foi atropelada por um motorista que invadiu o percurso da prova. Apesar das fraturas na clavícula e outros ferimentos, a atleta se considera uma sobrevivente e um milagre.

O grave acidente ocorreu no cruzamento da Avenida João Valério com a Avenida Maceió, no bairro Adrianópolis. Marleide, que já conquistou o ouro na São Silvestre na categoria PCD feminino, estava feliz e concentrada na prova quando foi surpreendida pelo veículo. O motorista, segundo relatos, ignorou a sinalização e a orientação dos agentes de trânsito, atingindo a paratleta em cheio.

Em entrevista exclusiva à Rede Amazônica, Marleide Sales da Silva compartilhou suas lembranças do ocorrido. Ela conta que perdeu os sentidos após o impacto e só acordou dentro da ambulância. A paratleta relatou que, mesmo com a dor intensa, o sentimento predominante é de gratidão pela vida, enfatizando que acredita ter sido poupada de um desfecho trágico. Conforme informação divulgada pela Rede Amazônica, a atleta declarou: “Eu sou um milagre de Deus várias vezes”.

Cadeira de rodas destruída e recuperação desafiadora

O impacto do acidente não deixou Marleide ilesa. Sua cadeira de rodas, essencial para suas competições, foi totalmente destruída. A paratleta sofreu fraturas em ambas as clavículas e ferimentos generalizados pelo corpo. Ela foi levada ao Hospital e Pronto-Socorro 28 de Agosto, onde recebeu os atendimentos médicos necessários e posteriormente foi liberada.

Agora, o principal desafio para Marleide é lidar com a perda de independência durante o período de recuperação. Ela expressou que a dor ainda é presente, mas está sob efeito de medicamentos. A atleta também ressaltou que o acidente poderia ter sido ainda mais grave, afirmando: “Foi um livramento de Deus porque se eu adiantasse um pouco mais ele tinha dado no meio da minha cadeira e provavelmente eu não estaria viva”.

Motorista embriagado foi preso em flagrante

Um vídeo divulgado nas redes sociais registrou o momento exato do atropelamento, mostrando a paratleta em plena corrida e o carro invadindo o percurso, apesar da presença de agentes de trânsito orientando o fluxo. Após o incidente, o condutor do veículo tentou fugir, mas foi rapidamente detido por agentes do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU).

O motorista foi submetido ao teste do bafômetro, que confirmou a ingestão de álcool, com um índice de 0,54 miligrama por litro de ar expelido, superior ao permitido por lei. Ele foi preso em flagrante e conduzido ao 1º Distrito Integrado de Polícia (DIP). A defesa do motorista optou por não se manifestar sobre o caso.

Federação de Atletismo garante segurança do evento

Em nota oficial, a Federação de Atletismo do Amazonas (FEDAE-AM) informou que a corrida de rua em homenagem ao Dia da Mulher foi realizada seguindo todos os procedimentos e protocolos de segurança exigidos para este tipo de evento esportivo. A federação também assegurou que a atleta Marleide Sales da Silva recebeu todo o apoio imediato necessário no local do acidente.

Marleide espera que a justiça seja feita diante do ocorrido e que o motorista responda pelas suas ações. A paratleta, apesar do trauma físico e emocional, demonstra força e resiliência ao encarar sua recuperação e ao se considerar uma sobrevivente de um evento que poderia ter tido consequências fatais.