Ouro em Alta: Como Guerras e Incertezas Políticas Impulsionam o Metal Precioso a Patamares Históricos
O cenário global de instabilidade, marcado por conflitos como a guerra no Oriente Médio e tensões envolvendo Rússia e Estados Unidos, tem impulsionado o preço do ouro a níveis recordes. Considerado um porto seguro, o metal tem atraído investidores em busca de proteção contra a volatilidade de mercados mais arriscados.
Desde o início de 2026, o ouro já apresentava uma trajetória ascendente, impulsionada por incertezas políticas, dúvidas sobre a política de juros nos Estados Unidos e um aumento significativo nas compras por bancos centrais. Essa combinação de fatores tem levado o metal precioso a atingir o maior valor de sua história.
Conforme informações divulgadas, em janeiro, o ouro alcançou o recorde histórico de US$ 5.595 por onça, superando pela primeira vez a marca dos US$ 5 mil. Nos últimos 12 meses até fevereiro, o metal acumulou uma valorização superior a 85%, superando significativamente outros investimentos populares como a bolsa brasileira.
Por Que o Ouro Continua Sendo um Refúgio Seguro?
A busca por segurança é o principal motor por trás da valorização do ouro, segundo analistas. Thiago Azevedo, sócio-fundador da Guardian Capital, explica que a disparada é resultado de uma conjunção de fatores globais. A expectativa de queda nos juros das principais economias, o aumento das tensões geopolíticas e a necessidade de proteção do patrimônio levam investidores a reduzir a exposição a ativos mais arriscados.
A atuação dos bancos centrais também tem sustentado os preços. Mauriciano Cavalcante, economista da Ourominas, aponta que diversos países têm optado por trocar parte de suas reservas em dólar por ouro. Essa estratégia se justifica pelo fato de que o ouro não depende de um país específico, ao contrário do dólar, que está atrelado à economia dos EUA, tornando-o mais vulnerável em períodos de guerra ou instabilidade financeira.
Ouro Como Termômetro do Medo e Diversificação de Carteira
Ramiro Gomes Ferreira, cofundador do Clube do Valor, descreve o ouro como um “termômetro do medo”. Ele explica que o preço tende a cair quando os piores cenários não se confirmam ou quando investidores decidem realizar lucros. O valor do ouro depende da oferta, demanda e do grau de incerteza dos investidores, uma vez que ele não gera renda.
O metal precioso é procurado em tempos de crise e instabilidade econômica por sua capacidade de manter o valor, diferentemente de ações ou títulos que sofrem com turbulências financeiras. Guerras, conflitos internacionais e altas em commodities como petróleo e gás aumentam a demanda por ouro como uma forma de proteção contra perdas.
Vale a Pena Investir em Ouro Agora? Opiniões Divergentes
Para Mauriciano Cavalcante, ainda há espaço para novas altas no preço do ouro, justificando o investimento diante do cenário geopolítico e econômico. Ele sugere que o ouro pode compor entre 15% e 30% do patrimônio, dependendo da tolerância ao risco do investidor, pois o metal preserva seu valor ao longo do tempo.
Por outro lado, Thiago Azevedo vê o ouro principalmente como um instrumento de proteção de longo prazo, não como uma aposta de curto prazo. Ramiro Ferreira ressalta que o ouro não gera renda e seu ganho advém apenas da valorização do preço, sendo historicamente inferior a ativos produtivos como ações no longo prazo. Ele recomenda que a exposição ao ouro não ultrapasse 3% a 5% da carteira para não comprometer o crescimento patrimonial.
Como Investir em Ouro no Brasil?
Existem diversas formas de investir em ouro no Brasil. O investidor pode optar pelo ouro físico, adquirindo barras ou lâminas em empresas autorizadas. Outras opções incluem ETFs (Exchange Traded Funds), como o GOLD11 negociado na B3, fundos de investimento que aplicam em ouro ou em empresas do setor, e contratos futuros, indicados apenas para investidores experientes.
Apesar das oscilações, o ouro mantém sua relevância no médio e longo prazo. O alto endividamento público, riscos fiscais e conflitos geopolíticos globais continuam a justificar seu papel como proteção contra choques e a perda do poder de compra das moedas. A expectativa é de volatilidade no curto prazo, mas com tendência de alta se as incertezas globais persistirem.