A Europa precisa assumir um papel mais proeminente na OTAN, tornando a aliança “mais europeia” para se adaptar às novas realidades geopolíticas.

A declaração foi feita por Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para Relações Exteriores, em uma conferência de defesa em Bruxelas. Ela enfatizou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “abalou os alicerces da relação transatlântica”, exigindo uma readequação estratégica do continente.

“Queremos laços transatlânticos fortes. Os Estados Unidos continuarão sendo parceiros e aliados da Europa. Mas a Europa precisa adaptar-se às novas realidades. A Europa não é mais o principal centro de gravidade de Washington”, afirmou Kallas, destacando que essa mudança é estrutural e não temporária.

A líder europeia ressaltou a importância histórica de uma potência não terceirizar sua própria sobrevivência. “Nenhuma grande potência na história terceirizou a sua sobrevivência e sobreviveu”, alertou. As informações e dados foram divulgados durante a conferência de defesa em Bruxelas.

Europa deve investir mais em defesa própria

Documentos oficiais recentes dos Departamentos de Estado e de Guerra norte-americanos indicam que os EUA esperam que a Europa foque em sua própria defesa, possuindo os recursos necessários para se contrapôr à Rússia, enquanto a atenção americana se volta para a China. Essa mudança de prioridade dos EUA exige uma resposta europeia mais robusta.

A necessidade de uma Europa mais autônoma em defesa foi evidenciada por ações recentes de Trump, como a ameaça de adquirir a Groenlândia da Dinamarca, que causou uma crise na aliança militar transatlântica. Essa foi apenas a mais recente tensão nas relações desde o retorno de Trump ao poder, intensificando os apelos para que o continente reduza sua dependência militar dos EUA.

OTAN continua sendo pilar de segurança, mas com papel europeu ampliado

Kallas deixou claro que a OTAN permanece como a pedra angular da segurança europeia. Ela reiterou que os esforços da UE devem ser complementares aos da aliança, mas insistiu na necessidade de a Europa desempenhar um papel mais ativo e protagonista na sua própria proteção. A Europa precisa dar um passo adiante.

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, os países europeus têm aumentado seus orçamentos de defesa. No ano passado, sob pressão de Trump, eles concordaram em elevar significativamente a meta de gasto da OTAN. A União Europeia também lançou iniciativas que visam destinar 800 bilhões de euros adicionais à defesa.

EUA redirecionam foco para a China, aumentando responsabilidade europeia

Washington tem deixado claro que espera que seus aliados europeus assumam mais responsabilidades na defesa convencional do continente. Este redirecionamento da atenção dos Estados Unidos para outras ameaças, como a China, reforça a urgência de a Europa fortalecer sua capacidade defensiva e tornar a OTAN uma aliança “mais europeia”, garantindo sua própria segurança e estabilidade no cenário global.