Polícia Federal deflagra nona fase da Operação Overclean e mira deputado federal com bloqueio de R$ 24 milhões

A Polícia Federal, em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Receita Federal, deu início nesta terça-feira (13) à nona fase da Operação Overclean. O objetivo é desarticular uma organização criminosa que supostamente desviou recursos públicos, praticou corrupção e lavagem de dinheiro, com foco principal em verbas provenientes de emendas parlamentares.

A ação, determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), cumpre nove mandados de busca e apreensão na Bahia e no Distrito Federal. O principal alvo da operação é o deputado federal Félix Mendonça Júnior (PDT-Bahia). A investigação aponta para um esquema complexo que envolve desvio de dinheiro público e atos ilícitos.

Conforme detalhado em comunicado pela PF, o STF determinou o bloqueio de R$ 24 milhões em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas investigadas. Essa medida visa interromper a movimentação de valores de origem ilícita e assegurar que os ativos possam ser recuperados para os cofres públicos. As informações foram divulgadas pela Agência Brasil.

Esquema criminoso sob investigação

A organização criminosa investigada na Operação Overclean é suspeita de cometer diversos crimes. Entre eles, estão organização criminosa, corrupção ativa e passiva, peculato (desvio de bem público), fraude em licitações e contratos administrativos, além de lavagem de dinheiro. A atuação dos envolvidos teria prejudicado órgãos públicos e administracões municipais.

Histórico de desvios e fraudes

A primeira fase da Operação Overclean foi deflagrada em 10 de dezembro de 2024, focando no direcionamento de recursos públicos de emendas parlamentares e convênios para empresas e indivíduos ligados a prefeituras baianas. Naquela ocasião, a PF revelou que o esquema contava com o apoio de policiais que repassavam informações sensíveis à organização criminosa.

Em suas fases iniciais, a operação contou com a colaboração da Agência Americana de Investigações de Segurança Interna (Homeland Security Investigations) para apurar o desvio de recursos. As suspeitas recaíam sobre superfaturamento em obras e desvio de aproximadamente R$ 1,4 bilhão, afetando diretamente órgãos como o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), especialmente na Bahia.

Afastamentos e bloqueios de valores

Ao longo das investigações, medidas judiciais levaram ao afastamento de servidores públicos e prefeitos. Em junho de 2025, durante a quarta fase, dois prefeitos da Bahia foram afastados por suspeita de desvio de emendas. Já na quinta fase, em julho de 2025, o STF determinou o bloqueio de R$ 85,7 milhões, em meio a investigações sobre manipulação de licitações e obstrução da justiça.

A sétima fase, em 16 de outubro, resultou no afastamento de um agente público e o cumprimento de mandados de busca e apreensão em cidades baianas e no Rio de Janeiro. A oitava fase, no final de outubro, estendeu as buscas a Brasília, São Paulo e Tocantins, reforçando a abrangência das investigações da Operação Overclean contra a corrupção.