ONU adia votação sobre uso da força no Estreito de Ormuz em meio a ameaças de veto da China e Rússia

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas adiou a votação de uma resolução que autorizaria o uso da força para proteger a navegação comercial no Estreito de Ormuz. A decisão, inicialmente prevista para sexta-feira e depois remarcada para sábado, foi postergada para a próxima semana, em uma tentativa de evitar o veto de potências como China e Rússia.

A proposta, apresentada pelo Bahrein, busca dar aval à utilização de “todos os meios defensivos necessários” para garantir a segurança no canal, um dos pontos de maior tensão na guerra no Oriente Médio. Caso aprovada, seria a primeira vez que a ONU concederia tal autorização em um conflito.

A medida enfrenta forte oposição da China, que já declarou ser contra qualquer autorização do uso da força, e da Rússia, ambos membros permanentes do Conselho de Segurança com poder de veto. Diplomatas buscam agora um acordo para contornar essa objeção, conforme informações divulgadas por diplomatas da ONU neste sábado (4).

Bahrein tenta acordo e flexibiliza proposta

Em um esforço para obter apoio, o Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança e alvo de ataques retaliatórios do Irã, retirou do texto a referência à aplicação obrigatória da medida. A resolução, em seu esboço final, autoriza o uso da força “por um período de pelo menos seis meses (…) e até que o Conselho decida de outra forma”. O chanceler do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, apelou por uma “posição unificada deste estimado conselho”.

China e Rússia expressam oposição à resolução

A China, principal comprador de petróleo do Irã, embora oficialmente neutra na guerra, demonstra um alinhamento pragmático com o país persa. Pequim já sinalizou sua oposição à resolução, assim como a Rússia. Essa resistência de membros permanentes com poder de veto é o principal obstáculo para a aprovação da medida.

Estreito de Ormuz: ponto estratégico e de tensão

O Estreito de Ormuz, localizado na costa do Irã, é fundamental para o comércio global de petróleo. Por ali, transita cerca de **20% do petróleo e gás consumidos no mundo**, provenientes de grandes produtores do Oriente Médio, como Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Catar. A região tem sido palco de ataques a navios e implantação de minas navais, ações atribuídas ao Irã, elevando historicamente o preço do barril de petróleo, que chegou a US$ 109 na quinta-feira (2).

Irã critica medida e a considera provocativa

O Irã já manifestou sua insatisfação com a possibilidade de aprovação da resolução. O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que uma autorização da ONU para o uso da força será vista como “uma ação provocativa”. Enquanto isso, Estados Unidos e outros países do Golfo Pérsico já declararam apoio à medida, que busca garantir a segurança em um dos corredores marítimos mais importantes do planeta.