Oito governadores desistem da eleição e ficam no cargo até fim do mandato, um recorde nas últimas disputas eleitorais.
Ao menos oito governadores que encerram seu segundo mandato decidiram permanecer no cargo, optando por conduzir a própria sucessão em vez de disputar as eleições deste ano. Essa decisão marca o maior número de gestores estaduais fora das urnas nas últimas eleições, superando os 5 de 2022 e os 4 de 2018.
Os motivos para essa escolha são diversos, incluindo planos frustrados de candidatura à Presidência, rompimentos com vices e cenários políticos turbulentos em seus estados. A legislação eleitoral estabelece o sábado, 4 de maio, como prazo limite para a desincompatibilização de cargos, e dez governadores renunciarão até lá.
Enquanto isso, nove governadores seguirão no cargo para disputar a reeleição. A decisão desses oito governadores de permanecerem no posto até o fim do mandato, conforme divulgado por fontes jornalísticas, abre um novo capítulo na política brasileira, com implicações significativas para as eleições deste ano.
Governadores com projeção nacional optam por ficar no cargo
Entre os nomes que permanecem no cargo, destacam-se Ratinho Junior (PSD), governador do Paraná, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul. Ambos eram cotados para disputar a Presidência, mas desistiram por razões distintas. Ratinho Junior optou por não concorrer, enquanto Eduardo Leite foi preterido pelo PSD e, fora da corrida presidencial, decidiu apoiar seu vice, Gabriel Souza (MDB), na disputa pelo governo gaúcho, em vez de se candidatar ao Senado.
Rompimentos com vices e cenários de instabilidade
Em cinco estados, governadores romperam com seus vices e optaram por não se candidatar para evitar entregar o cargo a um potencial adversário. Em Alagoas, Paulo Dantas (MDB) permanece no posto, com um clima de consenso, apoiando o retorno de seu antecessor, Renan Filho (MDB). Já a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), rompeu com seu vice, Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual. A renúncia de ambos poderia levar a uma eleição indireta com cenário incerto na Assembleia Legislativa.
Fátima Bezerra, que era vista como uma aposta do PT para ampliar a bancada no Senado, adiou seus planos para garantir um palanque forte para Lula e tentar emplacar seu secretário da Fazenda, Cadu Xavier (PT), como sucessor. No Maranhão, o governador Carlos Brandão (sem partido) e seu vice, Felipe Camarão (PT), enfrentam uma disputa acirrada, com pedidos de afastamento do cargo. A tendência é que ambos estejam em palanques opostos na sucessão.
Outros governadores que permanecem e renunciam
Outros governadores que permanecem no cargo até o fim do mandato, enfrentando rusgas com seus vices, são Wilson Lima (União Brasil-AM), Marcos Rocha (PSD-RO) e Wanderlei Barbosa (Republicanos-TO). Dentre os que renunciaram, Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, passou o bastão para seu vice, Mateus Simões (PSD), e busca se viabilizar para a Presidência. Ronaldo Caiado (União Brasil), governador de Goiás, também renunciou para concorrer à Presidência, passando o cargo a Daniel Vilela (MDB).
Disputa pelo Senado e reeleição
Oito governadores optaram por concorrer ao Senado, um caminho comum para gestores estaduais em fim de mandato. Entre eles estão Helder Barbalho (MDB-PA) e João Azevêdo (PSB-PB), aliados de Lula, e Mauro Mendes (União Brasil-MT) e Gladson Cameli (PP-AC), que devem reforçar o palanque de Flávio Bolsonaro (PL). Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro, renunciou para concorrer ao Senado, mas enfrenta pendências judiciais.
Nove governadores tentarão a reeleição, incluindo Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, que apoiará Flávio Bolsonaro. Três governadores petistas concorrem à reeleição, mas apenas Rafael Fonteles (PT), do Piauí, tem um cenário mais confortável. Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, reeditará o embate contra ACM Neto (União Brasil). No Ceará, Elmano de Freitas (PT) enfrenta um cenário complexo, com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB) liderando as pesquisas.