Aos 12 anos, o risco de obesidade infantil aumenta drasticamente, alerta Dr. Kalil com especialistas
A transição para a adolescência, marcada por volta dos 12 anos, traz consigo um aumento significativo no risco de obesidade infantil. Especialistas entrevistados pelo Dr. Roberto Kalil no programa CNN Sinais Vitais apontam a crescente autonomia na escolha dos alimentos como um dos principais fatores desencadeadores desse cenário preocupante.
Essa nova fase da vida traz consigo não apenas mudanças físicas, mas também uma maior independência na tomada de decisões, incluindo o que e como comer. Nesse contexto, o mundo digital e os aplicativos de entrega de comida ganham um papel de destaque, influenciando diretamente os hábitos alimentares dos jovens.
Diante desse quadro, é fundamental que pais e cuidadores estejam atentos aos sinais e busquem estratégias eficazes para promover uma alimentação mais saudável, garantindo o bem-estar e a qualidade de vida das futuras gerações. Conforme informações divulgadas pelo CNN Sinais Vitais, a obesidade infantil se agrava significativamente a partir dos 12 anos.
A Autonomia Alimentar e o Impacto dos Aplicativos de Entrega
A endocrinologista Claudia Cozer Kali, do Hospital Sírio-Libanês, explica que, a partir dos 12 anos, crianças e adolescentes desenvolvem suas próprias preferências alimentares. Frequentemente, essa autonomia se manifesta na utilização de aplicativos de entrega para pedir refeições. O problema reside nas escolhas feitas nesses aplicativos.
“Quando você vai pedir alguma comida por um aplicativo, você não pede arroz, feijão, carne e legumes. Você pede alguma coisa bem saborosa”, observa Claudia. A especialista ressalta que a frequência e a quantidade dessas escolhas por alimentos muito saborosos, geralmente menos nutritivos, **impedem que os jovens experimentem alimentos mais saudáveis e in natura**, contribuindo para o ganho de peso.
O Perigo dos Alimentos Ultraprocessados e sua Hiperpalatabilidade
A nutricionista Thaís Cardeal Ramos destaca o papel crucial dos alimentos ultraprocessados nesse aumento da obesidade infantil. Esses produtos são formulados para serem **hiperpalatáveis**, ou seja, possuem um sabor extremamente agradável, resultado da adição de grandes quantidades de açúcar, gordura e sal.
Thaís descreve essa batalha como “uma guerra injusta os alimentos hiperpalatáveis, os alimentos gordurosos, industrializados, ultraprocessados, com alimento in natura”. Esse poder de atração, que afeta tanto crianças quanto adultos, é um dos principais impulsionadores do sobrepeso, da obesidade e de uma série de outras doenças associadas.
A Mudança nos Lanches e o Papel Fundamental dos Pais
A nutricionista Thaís Cardeal Ramos também alerta para a mudança significativa nos hábitos alimentares dentro do ambiente familiar. Ela nota que, enquanto antigamente os lanches eram compostos por frutas e sucos naturais, hoje é comum a oferta de sucos de caixinha, salgadinhos e biscoitos recheados.
Para reverter esse quadro, a especialista enfatiza a responsabilidade dos pais e cuidadores. “O que a gente tem que passar para esses pais, para esses cuidadores, é sim perder um tempo ali, uns 5 minutos para fazer um lanche melhor, de mais qualidade”, aconselha a nutricionista, ressaltando a importância de **priorizar lanches nutritivos**.
Medicamentos e a Busca por uma Alimentação Saudável
Claudia Cozer Kali aborda a questão de medicamentos que podem influenciar o apetite e o metabolismo. Ela esclarece que certas medicações, como corticoides utilizados em tratamentos neurológicos, psiquiátricos ou para alergias, podem afetar a sensação de fome e saciedade, além de interferir no metabolismo.
No entanto, a endocrinologista ressalta que a presença desses medicamentos **não impede que a criança ou adolescente busque uma alimentação saudável** e mantenha um controle sobre o volume alimentar. A conscientização e o acompanhamento profissional são essenciais para gerenciar esses fatores e promover um estilo de vida equilibrado.