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Política

O retorno do sigilo de um século: como Lula enterra a própria promessa de transparência

O retorno do sigilo de um século: como Lula enterra a própria promessa de transparência

O governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impôs sigilo de até 100 anos sobre processos de liberação de bets – as apostas esportivas online. A medida, que na prática dificulta o acesso da imprensa e da sociedade a informações sobre a autorização dessas empresas, foi justificada internamente como proteção a dados pessoais. No entanto, a decisão escancara o que críticos chamam de “sem-vergonhice dupla”: durante a campanha eleitoral, Lula criticou duramente Jair Bolsonaro (PL) pelo uso recorrente do mesmo expediente para ocultar informações inconvenientes.

Bolsonaro, de fato, decretou sigilo de um século sobre o próprio cartão de vacinação, as visitas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao Palácio do Alvorada, o acesso dos filhos ao Planalto e reuniões com pastores que negociavam verbas com prefeitos. Também escondeu os gastos dos cartões corporativos da Presidência. Lula, ao assumir, prometeu acabar com a “picaretagem”, revogou vários sigilos do antecessor – mas, na prática, passou a agir da mesma forma.

Desde 2023, o governo petista também impôs sigilo de 100 anos à agenda da primeira-dama Janja da Silva e à lista dos integrantes do Batalhão de Guarda Presidencial que estavam de serviço no dia 8 de janeiro de 2023. Já os gastos com cartões corporativos foram classificados como “reservados”, não com sigilo secular – uma diferença que, para analistas, é apenas cosmética: “Deixar para o sucessor imediato revelar o dado, se é que ele faria isso, é como jogar para outro século”, ironiza o colunista.

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A Controladoria-Geral da União (CGU) defende que o governo é transparente e que as negativas ocorrem quando é necessário “tarjar dados pessoais sensíveis” – tarefa que, segundo a pasta, uma ferramenta de inteligência artificial em desenvolvimento ajudará a realizar. Mas o argumento do “trabalho adicional” foi o mesmo usado pelo Ministério da Fazenda para negar acesso da imprensa ao processo de aprovação de uma bet de origem russa, banida em vários países.

A frase do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que tenta se eleger deputado federal, parece resumir a nova filosofia oficial: “Transparência demais é burrice.”

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