Entenda o êxodo de neozelandeses: Por que tantos estão deixando o país em busca de um futuro melhor na Austrália
A Nova Zelândia vive um momento de preocupação crescente com a saída em massa de seus cidadãos. Nos últimos anos, um número recorde de neozelandeses tem optado por deixar o país, com a Austrália como destino principal. Este fenômeno, embora não seja novo, ganhou uma intensidade e um contexto alarmantes, levantando questões sobre a estabilidade econômica e as perspectivas futuras do país.
A busca por melhores salários, oportunidades de carreira e um mercado de trabalho mais robusto tem impulsionado essa onda migratória. A comparação com a Austrália, que oferece um PIB per capita superior e remunerações mais atrativas, torna-se cada vez mais presente no cotidiano dos neozelandeses, impactando suas decisões de vida e carreira.
Especialistas apontam que a saída não se limita mais a jovens em busca de experiência, mas inclui também trabalhadores experientes e até mesmo estrangeiros que viviam na Nova Zelândia. Essa mudança no perfil dos emigrantes e a persistência da tendência indicam um cenário que vai além de ciclos migratórios comuns, conforme informações divulgadas pela BBC News Mundo.
Crise Econômica e Mercado de Trabalho Fraco Impulsionam Saídas
A principal causa para o aumento da emigração de cidadãos neozelandeses reside na **fragilidade do mercado de trabalho** local. Conforme relatado por Paul Spoonley, professor emérito da Universidade Massey, a taxa de desemprego atingiu 5,3%, a mais alta em quase uma década, somada a cortes significativos de empregos no setor público. Esse cenário desfavorável, aliado a uma economia em desaceleração com crescimento do PIB em torno de 1% em 2025, pressiona os cidadãos.
A perda de poder de compra é outro fator crucial. Os salários na Nova Zelândia não acompanham o ritmo de aumento dos preços, especialmente em itens essenciais e moradia. Isso cria uma pressão financeira considerável sobre as famílias, tornando a ideia de buscar **salários melhores em outros países** ainda mais atrativa. Incentivos como o custeio de despesas de realocação oferecidos por empregadores estrangeiros também pesam na decisão.
A **solidez do mercado de trabalho australiano** oferece um contraste gritante. Com mais opções de emprego, possibilidades de progressão na carreira e taxas de desemprego menores, a Austrália se apresenta como um destino promissor. As condições de trabalho, incluindo pagamentos adicionais por horas extras, fins de semana e feriados, que não são garantidos por lei na Nova Zelândia, aumentam ainda mais o apelo do país vizinho.
Austrália: O Destino Preferido com Salários Mais Altos
A Austrália concentra cerca de 60% dos neozelandeses que deixam seu país, refletindo a forte ligação histórica e social entre as duas nações. Mais de 700 mil neozelandeses já vivem no país vizinho, formando uma comunidade significativa que facilita a adaptação de novos chegados. O sociólogo Francis Collins destaca que esses **vínculos sociais preexistentes** são um grande atrativo.
Exemplos concretos ilustram a disparidade salarial. Um enfermeiro registrado na Austrália pode ganhar entre 85 mil e 90 mil dólares australianos por ano, enquanto na Nova Zelândia a remuneração é consideravelmente menor. Mais de 10 mil enfermeiros neozelandeses se registraram para trabalhar na Austrália apenas no último ano. O mesmo ocorre com agentes de polícia, que recebem ofertas de salários superiores a US$ 75 mil anuais, muitas vezes com moradia subsidiada ou gratuita.
Setores como mineração e construção civil também se beneficiam da demanda constante por mão de obra qualificada na Austrália, impulsionada por uma economia que cresceu acima de 2% no ano passado. Essa busca por talentos em setores chave contribui para a saída de profissionais qualificados da Nova Zelândia.
Mudança no Perfil do Emigrante Neozelandês
O perfil do emigrante neozelandês também mudou. Tradicionalmente, eram jovens recém-formados ou recém-saídos do ensino médio. Atualmente, observa-se um aumento significativo de pessoas na faixa dos 20 a 30 anos, que já estavam inseridas no mercado de trabalho neozelandês. Essa mudança sugere que a insatisfação com as perspectivas de carreira e salariais está afetando um grupo mais experiente de profissionais.
Um dado relevante é que 38% dos emigrantes são cidadãos neozelandeses que não nasceram no país. Em algumas comunidades de imigrantes, a saída de residentes tem superado a chegada, como é o caso dos imigrantes do Reino Unido. Além disso, aposentados buscam se reunir com familiares no exterior, especialmente na Austrália.
A diâspora neozelandesa, composta por mais de 800 mil cidadãos e seus filhos vivendo fora do país, é uma das maiores em proporção à população entre os países da OCDE. Especialistas criticam a falta de interesse do governo neozelandês em se conectar com essa diáspora e aproveitar sua experiência. A perda contínua de trabalhadores experientes pode resultar em **perda de capital humano**, menor produtividade e crescimento econômico mais fraco no longo prazo.