Netanyahu busca influência direta em Washington para moldar o futuro das negociações nucleares com o Irã, visando um acordo mais abrangente.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, iniciou uma importante visita a Washington nesta terça-feira (10) com um objetivo claro: pressionar o presidente Donald Trump a expandir significativamente o escopo das negociações nucleares com o Irã. A missão de Netanyahu é garantir que qualquer acordo futuro vá além da limitação do programa nuclear iraniano, abordando também o desenvolvimento de mísseis balísticos e o apoio a grupos militantes na região.
As conversas ocorrem em um momento de alta tensão, com os Estados Unidos reforçando sua presença militar no Oriente Médio e o Irã enfrentando repressão interna e sanções internacionais. A expectativa é que Netanyahu utilize sua proximidade com Trump para influenciar as decisões americanas, buscando evitar um acordo considerado insuficiente por Israel.
A posição de Israel, defendida há anos por Netanyahu, exige que o Irã cesse todo o enriquecimento de urânio, reduza seu programa de mísseis balísticos e rompa laços com organizações como o Hamas e o Hezbollah. Teerã, por sua vez, historicamente rejeita essas exigências, condicionando qualquer limitação em seu programa nuclear ao alívio das sanções econômicas. As informações são do conteúdo divulgado sobre a pauta.
Israel quer fim total do enriquecimento de urânio e desmantelamento de mísseis balísticos
A principal demanda de Israel, apresentada reiteradamente por Benjamin Netanyahu, é que o Irã abandone completamente o enriquecimento de urânio. Além disso, o país busca a redução do programa de mísseis balísticos iranianos e o fim do apoio a grupos militantes regionais, como o Hamas e o Hezbollah. Essas exigências, contudo, sempre foram rejeitadas pelo governo iraniano, que insiste em seu direito ao uso pacífico da energia nuclear e em seu programa de defesa.
Apesar da resistência iraniana, Israel vê a atual conjuntura como uma oportunidade para forçar um acordo mais robusto. A presença militar americana na região e a repressão a protestos internos no Irã podem, segundo analistas, tornar o regime iraniano mais receptivo a concessões significativas.
Visita estratégica em meio a tensões regionais e eleições em Israel
A visita de Netanyahu a Washington acontece pouco tempo após encontros de enviados americanos com o primeiro-ministro em Jerusalém e com o chanceler iraniano em Omã. Essa coincidência reforça a urgência de Israel em influenciar o processo de negociação. Netanyahu, que enfrentará eleições ainda este ano, busca demonstrar aos eleitores israelenses sua capacidade de proteger os interesses do país no cenário internacional, especialmente através de sua relação com Donald Trump.
A estratégia de Netanyahu de destacar seus laços com Trump tem sido um pilar de sua carreira política. Ele já elogiou o presidente americano como o “melhor amigo que Israel já teve na Casa Branca”. A reunião desta semana é vista como mais uma oportunidade para consolidar essa imagem e reforçar sua posição política interna, como aponta Sima Shine, especialista em Irã e ex-membro do Mossad.
Risco de um acordo limitado e a ameaça de novas ações militares
Analistas e autoridades israelenses temem que os Estados Unidos fechem um acordo limitado com o Irã, que apenas suspenda temporariamente o enriquecimento de urânio. Esse tipo de acordo, na visão de Israel, permitiria a Trump declarar uma vitória política, mas deixaria em aberto a possibilidade de o Irã desenvolver armas nucleares no futuro. A especialista Sima Shine alertou que um acordo que não encerre o programa nuclear iraniano e seu arsenal de mísseis balísticos poderia, futuramente, exigir novas ações militares por parte de Israel.
A possibilidade de novas ações militares contra o Irã, inclusive com o envolvimento dos EUA, deve ser discutida durante a visita. Israel acredita que, sem um acordo abrangente, a segurança regional continuará ameaçada, e a necessidade de uma resposta mais contundente pode se tornar inevitável. A eficácia dos ataques aéreos de 2019, que danificaram instalações nucleares iranianas, ainda é objeto de análise, com a Agência Internacional de Energia Atômica sem acesso a locais bombardeados.
Netanyahu antecipa viagem para evitar controvérsias diplomáticas
Inicialmente, a visita de Netanyahu estava agendada para a próxima semana, coincidindo com o lançamento do Conselho de Paz de Trump. No entanto, o primeiro-ministro decidiu antecipar sua viagem, uma manobra estratégica para evitar polêmicas relacionadas à participação de países como Turquia e Catar na iniciativa, com os quais Israel tem relações tensas. Essa antecipação pode ser vista como uma forma de contornar um possível constrangimento diplomático com Trump, garantindo o foco nas negociações sobre o Irã.
A decisão de antecipar a visita, segundo Yohanan Plesner, chefe do Instituto de Democracia de Israel, oferece uma “solução elegante” que permite a Netanyahu evitar o lançamento do Conselho de Paz sem ofender o presidente americano. A prioridade agora é maximizar a influência de Israel nas discussões cruciais sobre o futuro do programa nuclear iraniano.