Nepal decreta luto nacional e busca sobreviventes após avalanche de proporções catastróficas
Em meio a uma profunda tristeza, o Nepal observa nesta segunda-feira (7) um dia de luto nacional. A data marca 13 dias desde que uma avalanche devastadora atingiu a fronteira entre o país e a China, deixando um rastro de destruição e milhares de desaparecidos. A comoção nacional se une à crescente impaciência das famílias que aguardam por notícias de seus entes queridos.
Por determinação governamental, as bandeiras foram hasteadas a meio mastro em todos os prédios públicos. A medida é um gesto de homenagem às vítimas da inundação sem precedentes que assolou a região. A tragédia, ocorrida em 26 de agosto, já registrou um número alarmante de mortos e desaparecidos, segundo os balanços provisórios divulgados pelas autoridades.
As equipes de resgate continuam os trabalhos incansavelmente, enfrentando desafios logísticos e ambientais em uma corrida contra o tempo. A esperança de encontrar mais sobreviventes diminui a cada dia, mas a busca permanece intensa. A comunidade internacional acompanha com apreensão os desdobramentos desta catástrofe natural.
Balanço trágico e centenas de desaparecidos nas áreas afetadas
A avalanche, provocada pelo colapso parcial de uma geleira e de uma montanha, causou uma destruição massiva. Estradas, pontes, residências e infraestruturas foram varridas pelo deslizamento de gelo e rochas. Os balanços provisórios divulgados nesta segunda-feira indicam pelo menos **1.398 mortos** e mais de **5.500 desaparecidos**. Estes números, infelizmente, podem ainda aumentar à medida que as buscas avançam.
Turistas, peregrinos e trabalhadores entre os desaparecidos na avalanche
Entre os milhares de desaparecidos, encontram-se muitos turistas e peregrinos estrangeiros, além de centenas de trabalhadores. Estas pessoas estavam nas proximidades de barragens que foram completamente destruídas pela força da avalanche. A localização de cada um deles se tornou uma prioridade para as equipes de emergência, que trabalham em condições extremamente difíceis.
Esperança e frustração marcam os dias de busca por sobreviventes
Apesar da magnitude da tragédia, houve casos de resgates bem-sucedidos. Três pessoas, incluindo trabalhadores nepaleses e um chinês, foram resgatadas entre sexta-feira (4) e sábado (5). No fim de semana, uma idosa também foi retirada com vida dos escombros de sua casa. No entanto, a busca por sobreviventes nos túneis continua pelo 13º dia consecutivo, com a mesma intensidade do primeiro dia, conforme afirmou o Exército.
O porta-voz militar, Raja Ram Basnet, explicou que os esforços estão concentrados em três frentes: por terra, pelo ar e nos túneis. Contudo, a frustração das famílias dos desaparecidos é palpável. “Dizem que estão procurando, mas com que resultados? Queremos resultados”, desabafou Reena Amatya Shrestha, à espera de notícias do seu irmão, o geólogo Sumesh Amatya, que trabalhava na represa Trishuli-3.
Dificuldades sem precedentes nas operações de resgate
Arnold Dix, especialista australiano que participa das operações, destacou as dificuldades sem precedentes enfrentadas pelas equipes de resgate. “Não se trata de uma única operação de resgate, mas potencialmente de várias que transcorrem ao mesmo tempo, em diferentes locais, cada uma com seus próprios perigos”, explicou. Dezenas de parentes de trabalhadores desaparecidos se reuniram em Katmandu, capital do Nepal, expressando sua angústia com uma faixa que questionava: “Quanto tempo vamos ficar esperando em casa e chorando?” A busca por respostas e por seus entes queridos continua sendo o foco principal em meio ao luto nacional.