Aumento Significativo da Presença Militar dos EUA no Oriente Médio Sinaliza Pressão Crescente sobre o Irã

Imagens de satélite e confirmações indicam um notável aumento na movimentação de navios de guerra e aeronaves de combate dos Estados Unidos no Oriente Médio. A presença do porta-aviões USS Abraham Lincoln, localizado próximo ao Irã, é um dos principais indicadores dessa escalada.

Este reforço militar ocorre em um momento delicado, com autoridades americanas e iranianas se reunindo na Suíça para discutir o programa nuclear do Irã e a possibilidade de suspensão de sanções econômicas. Washington, no entanto, já sinalizou o desejo de abordar outras questões além do acordo nuclear.

A mobilização militar dos EUA, que também inclui o envio do maior navio de guerra do mundo, o USS Gerald R. Ford, para a região, tem sido acompanhada de perto. A BBC Verify, equipe de checagem de dados da emissora britânica, registrou um aumento na presença de destróieres, navios de combate e caças americanos, conforme divulgado pela própria BBC.

Detalhes da Mobilização Naval e Aérea dos EUA

O porta-aviões USS Abraham Lincoln, que lidera um grupo de ataque com três destróieres de mísseis guiados, transporta cerca de 90 aeronaves, incluindo caças F-35, e conta com uma tripulação de 5.680 militares. Ele foi visto na costa de Omã, a aproximadamente 700 km do Irã, em imagens de satélite europeias Sentinel-2.

Além do Abraham Lincoln, os EUA teriam enviado o USS Gerald R. Ford para o Oriente Médio, com previsão de chegada nas próximas três semanas. A presença naval inclui também destróieres posicionados em bases no Bahrein, no Golfo Pérsico, e outros no Mediterrâneo Oriental e no Mar Vermelho.

A BBC Verify também observou um aumento no estacionamento de caças F-15 e EA-18 na base militar de Muwaffaq Salti, na Jordânia. Além disso, aeronaves de carga, reabastecimento e comunicação americanas têm se deslocado dos EUA e da Europa para a região.

Demonstrações de Força e Exercícios Militares Recentes

O Comando Central dos EUA divulgou imagens em 6 de fevereiro do porta-aviões Abraham Lincoln, acompanhado por destróieres, caças e outras embarcações, em uma clara demonstração de poderio militar no Mar Arábico. Em resposta, o Irã também realizou sua própria demonstração de força.

Na segunda-feira, 16 de fevereiro, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) conduziu um exercício marítimo no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica vital para o trânsito de petróleo mundial. O exercício incluiu o lançamento de mísseis a partir de um navio, conforme noticiado pela agência Tasnim, ligada à IRGC.

O Estreito de Ormuz é um ponto crucial, por onde flui cerca de um quinto do petróleo e gás do mundo, incluindo o produzido no principal terminal de exportação do Irã, a Ilha de Kharg. A mobilização de recursos militares por ambos os lados aumenta a tensão na região.

Análise Especializada sobre a Intensidade da Mobilização

Justin Crump, especialista em inteligência militar e diretor executivo da Sibylline, avalia que os preparativos militares atuais dos EUA no Oriente Médio possuem “mais profundidade e sustentabilidade” do que manobras anteriores. Ele compara a situação com as operações americanas na Venezuela e os ataques a instalações nucleares iranianas no ano passado.

Crump sugere que a atual configuração de forças, com um grupo de ataque de porta-aviões e múltiplos destróieres operando de forma independente, juntamente com oito bases aéreas na região, permitiria um “ritmo de ataques bastante intenso e sustentado”, com o objetivo de neutralizar qualquer resposta iraniana.

Ele ressalta que esta mobilização é projetada para sustentar um engajamento e neutralizar ameaças contra ativos americanos e de Israel na região, indicando uma estratégia de longo prazo e alta capacidade de resposta por parte dos Estados Unidos.