O que são as missões de Busca e Resgate em Combate (CSAR) e por que são tão perigosas
As missões de Busca e Resgate em Combate (CSAR) são consideradas algumas das operações mais complexas e urgentes para as quais as Forças Armadas dos EUA e seus aliados se preparam. Elas envolvem a localização, auxílio e resgate de pessoal em perigo, incluindo pilotos abatidos e tropas isoladas.
Ao contrário das operações de resgate convencionais, as missões CSAR ocorrem em ambientes hostis ou zonas de conflito, podendo inclusive acontecer em território inimigo. Um exemplo recente foi o resgate de dois tripulantes de um caça F-15 americano abatido no Irã, em abril de 2020.
Essas operações são realizadas principalmente por unidades de elite da Força Aérea dos EUA, os chamados paraquedistas de resgate. Eles são altamente treinados como combatentes e paramédicos, passando por um dos processos de seleção e treinamento mais rigorosos das Forças Armadas americanas. Conforme informações divulgadas, o trabalho dessas equipes é considerado parte de uma promessa de que nenhum militar americano será abandonado.
A complexidade e os riscos inerentes às operações CSAR
As missões CSAR são normalmente conduzidas com helicópteros, com apoio de aeronaves de reabastecimento e outras aeronaves militares para ataques e patrulhamento da área. Um ex-comandante de um esquadrão de paraquedistas de resgate descreveu à CBS que uma operação como a do Irã envolveria pelo menos 24 paraquedistas vasculhando a área em helicópteros Black Hawk.
A equipe estaria preparada para saltar de aviões, se necessário. Uma vez em terra, a prioridade seria contatar o tripulante desaparecido. Após localizado, os paraquedistas prestariam assistência médica, se necessário, escapariam do inimigo e levariam o tripulante para um local seguro de resgate. “Dizer que é angustiante e incrivelmente perigoso é um eufemismo”, disse o ex-comandante à emissora parceira da BBC.
A urgência dessas missões é extrema, pois forças inimigas podem ser mobilizadas rapidamente para a mesma área, tentando capturar o pessoal que as equipes de CSAR buscam resgatar. Jonathan Hackett, especialista em operações especiais do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA, afirmou ao programa World Tonight da BBC que a prioridade é procurar sinais de vida.
O treinamento rigoroso e o lema dos paraquedistas de resgate
Os paraquedistas de resgate, parte da comunidade de operações especiais das Forças Armadas, são conhecidos como os “canivetes suíços da Força Aérea”. Seu lema oficial é “Fazemos isso para que outros possam viver”. Eles recebem treinamento especializado em medicina de combate, operações complexas de resgate e armamento.
Em campo, essas equipes são lideradas por oficiais especializados em resgate em combate, responsáveis pelo planejamento, coordenação e execução das missões. Eles são treinados para atuar em cenários de altíssimo risco, onde a tomada de decisão rápida e precisa é crucial para a sobrevivência de todos os envolvidos.
Uma história de heroísmo e evolução das missões de resgate
As missões de resgate aéreo em tempos de guerra têm uma longa história, remontando à Primeira Guerra Mundial. As unidades de paraquedistas de resgate do Exército dos EUA têm suas origens em uma missão de 1943 na Birmânia. O primeiro resgate de helicóptero do mundo ocorreu em 1944, com o resgate de quatro soldados americanos atrás das linhas japonesas.
O CSAR moderno começou a ser aprimorado durante a Guerra do Vietnã, com operações como a Bat 21, que exigiu a expansão significativa das missões. A experiência dessa guerra ajudou os militares a refinar táticas e procedimentos que são a base das operações de resgate até hoje.
Exemplos notáveis de missões CSAR ao longo das décadas
As equipes de paraquedistas de resgate foram amplamente mobilizadas nas guerras do Iraque e Afeganistão, realizando milhares de missões. Um resgate notável ocorreu em 2005, quando equipes da Força Aérea participaram do resgate de um SEAL da Marinha ferido no Afeganistão, um incidente retratado no filme “O Grande Herói” (2013).
Missões de resgate de pilotos abatidos, embora menos frequentes nas últimas décadas, também são exemplos de bravura. Em 1999, o piloto de um caça F-117 abatido sobre a Sérvia foi resgatado. Em 1995, o piloto americano Scott O’Grady foi resgatado na Bósnia após ser abatido e evitar a captura por seis dias, em uma missão conjunta da Força Aérea e do Corpo de Fuzileiros Navais.