Missão de segurança no Estreito de Ormuz pode iniciar em dias, aponta Macron, mas tensão com EUA persiste

O presidente da França, Emmanuel Macron, indicou nesta segunda-feira (15) que a missão conjunta com o Reino Unido para garantir a segurança no Estreito de Ormuz, após um eventual acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, pode ser implementada rapidamente. A iniciativa europeia visa assegurar a livre navegação em uma rota vital para o comércio global de petróleo.

A declaração surge em um momento de incertezas diplomáticas, com os Estados Unidos expressando desconfiança em relação aos planos europeus e criticando a atuação de aliados, como a OTAN. A situação no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo, continua sendo um ponto de atenção internacional.

Enquanto a Europa se mobiliza para restabelecer a normalidade no tráfego marítimo, a postura dos Estados Unidos, especialmente sob a liderança do presidente Donald Trump, adiciona uma camada de complexidade às negociações. A colaboração entre as nações europeias e a resposta americana moldarão o futuro da segurança na estratégica via fluvial. Conforme informações divulgadas, a missão europeia pode começar de 2 a 3 dias após a assinatura do acordo entre EUA e Irã.

Parceria Europeia para Segurança Marítima

Macron afirmou que, além da França e do Reino Unido, a Itália e a Holanda também demonstraram disposição em participar da missão. O objetivo é garantir que a rota marítima, essencial para o fluxo de 20% da produção mundial de petróleo, permaneça aberta e segura. O G7, segundo o presidente francês, empenhar-se-á para que o tráfego na região seja normalizado e defendeu que a reabertura do estreito “deve ser feita sem pedágios”, rejeitando qualquer forma de privatização da rota.

A iniciativa, anunciada há dois meses, contou com uma reunião de líderes europeus para debater a questão. Mais de uma dúzia de países já se comprometeram a contribuir com recursos para a missão, descrita como defensiva e focada em restaurar a liberdade de navegação. Uma conferência em Londres abordará os detalhes militares e a composição da força-tarefa.

Acordo EUA-Irã e Possíveis Taxas Marítimas

Relatos indicam que, pouco antes do anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã, Teerã teria incluído uma cláusula sobre a imposição de taxas de serviços marítimos para embarcações que trafegam pelo Estreito de Ormuz. Uma fonte da agência Fars mencionou que a alteração no memorando de entendimento enfatizou a soberania iraniano-omanense sobre o estreito, implicando a aceitação americana de que taxas seriam pagas ao Irã.

O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, destacou a importância global da reabertura do estreito, classificando-a como uma “necessidade global e uma responsabilidade global”. Ele também mencionou que mais de uma dúzia de países se ofereceram para contribuir com recursos, reforçando o caráter colaborativo da missão europeia.

Críticas de Trump à OTAN e Ceticismo Americano

Em contrapartida, representantes dos Estados Unidos não participaram do encontro europeu. O presidente Donald Trump, por meio de sua rede social Truth Social, alfinetou os planos, questionando a necessidade da OTAN em oferecer ajuda. Trump reiterou suas críticas à aliança, afirmando que a OTAN “não esteve lá por nós, e não estará lá por nós no futuro”, e que estava considerando “seriamente” a retirada dos EUA da Organização do Tratado do Atlântico Norte.

A insatisfação de Trump com a negativa de outros países da OTAN em auxiliar no desbloqueio do Estreito de Ormuz é notória desde o início do conflito com o Irã. O presidente americano tem demonstrado descontentamento com o que considera falta de apoio de seus aliados, classificando a aliança como um “tigre de papel” em momentos de necessidade.