Enquanto a população enfrenta alagamentos e medo, o sistema de alerta da Defesa Civil, comandado pela gestão municipal, segue falhando, mesmo após contratos milionários.

Mais uma vez, Manaus amanheceu sob o caos das chuvas intensas e da desorganização pública. A Defesa Civil emitiu apenas na tarde desta terça-feira (14) um alerta de chuva intensa e risco de alagamentos para a capital e municípios da Região Metropolitana, um aviso tardio para quem já enfrentava ruas alagadas, enxurradas e prejuízos.

O alerta, válido até as 15h30, veio horas depois de as primeiras pancadas fortes atingirem diferentes zonas da cidade. Estações meteorológicas registraram volumes expressivos em bairros como União, com 38,6 mm de chuva, Puraquequara, com 29,4 mm, e Colônia Antônio Aleixo, com 27,5 mm. Enquanto isso, os órgãos públicos apenas recomendaram atenção e pediram que a população ligasse para os números de emergência, um discurso repetido que já não convence mais.

A ineficiência no sistema de alerta causa revolta quando se observa que a gestão de David Almeida vem gastando milhões de reais em contratos e projetos ligados à Defesa Civil e ao monitoramento climático. Mesmo com tanto investimento, os alerta continuam chegando atrasados, as sirenes seguem inoperantes em muitas áreas de risco e as enchentes continuam castigando as mesmas comunidades ano após ano.

Críticos afirmam que a prioridade da atual gestão parece estar mais voltada para contratos do que para resultados. Enquanto as chuvas expõem a falta de planejamento urbano e a fragilidade dos sistemas de drenagem, o prefeito segue se beneficiando politicamente da imagem de gestor presente, mas ausente nas soluções concretas.

Bairros inteiros sofrem com alagamentos recorrentes, e famílias veem suas casas tomadas pela água antes mesmo de qualquer aviso oficial. Em áreas como Jorge Teixeira, São José e Educandos, moradores relatam que não recebem nenhum tipo de alerta, dependendo apenas das redes sociais e da observação do céu.

A promessa de um sistema moderno de alerta, anunciada em gestões anteriores e reforçada por David Almeida, nunca saiu efetivamente do papel. O que resta é o improviso. Servidores tentam responder a emergências que poderiam ser evitadas com planejamento e tecnologia, ambas disponíveis, mas mal utilizadas.

Enquanto a Prefeitura tenta justificar o atraso dos alertas com explicações técnicas, a realidade é simples: Manaus sofre porque falta gestão, não porque falta aviso da natureza. Os temporais não são novidade, mas a repetição do descaso sim.

Em vez de respostas ágeis, o que se vê é uma administração que parece mais preocupada em faturar com contratos do que em proteger a população. A chuva passa, o alerta chega tarde e a indignação permanece.