O México como “Ganhador Inesperado” na Política Tarifária de Trump e os Testes que Virão
Em meio a uma política tarifária globalmente impactante, o México emergiu como um beneficiário surpreendente, aumentando suas exportações para os Estados Unidos em 2025. A estratégia de Donald Trump, que visava reconfigurar o comércio internacional, acabou por fortalecer a posição mexicana, especialmente devido ao Tratado entre México, Estados Unidos e Canadá (T-MEC).
A análise de especialistas, como Erica York do Tax Foundation, aponta que a isenção de tarifas para produtos que atendem às exigências do T-MEC foi crucial. Essa medida incentivou um aumento significativo nas transações sob o acordo, posicionando o México de forma vantajosa em comparação a outros parceiros comerciais dos EUA.
No entanto, a “ponte comercial” entre México e Estados Unidos não está isenta de desafios. Declarações recentes de Donald Trump sobre a relevância do T-MEC e a iminente renegociação do acordo lançam sombras sobre a continuidade desse cenário favorável, conforme divulgado pelo jornal The Wall Street Journal.
O T-MEC como Escudo Contra Tarifas e a Ascensão do México
A política de tarifas de Donald Trump, anunciada em abril, impactou diversas nações, mas México e Canadá, parceiros comerciais importantes, conseguiram evitar o pior. Conforme relatado pela BBC News Mundo, a analista Erica York destaca que produtos alinhados com o T-MEC foram isentos, impulsionando o comércio bilateral.
O especialista mexicano Mario Campa, da Universidade Columbia, corrobora essa visão, afirmando que, diante do aumento de tarifas em outros mercados, compradores nos EUA buscam países com alíquotas menores. Neste contexto, o México se beneficiou diretamente, pagando uma tarifa efetiva de importação de apenas 4,6% em outubro de 2025, segundo o Modelo de Orçamento Penn Wharton (PWBM).
O Canadá, com uma tarifa de 3,9%, também se manteve vantajoso, mas o volume de exportações mexicanas para os EUA apresentou um crescimento de 5,66% em 2025, superando o Canadá, cujas exportações caíram 6,19% no mesmo período. Em contraste, a tarifa efetiva para produtos chineses atingiu 37,1%, evidenciando o impacto da política de Trump no comércio global.
Setores Específicos: Onde as Tarifas Deixaram Marcas Distintas
Apesar do crescimento geral, alguns setores mexicanos sentiram o impacto das tarifas. O setor automotivo, por exemplo, registrou um aumento modesto de 0,9% em 2025, abaixo do esperado, mesmo com negociações que isentaram componentes não fabricados nos EUA. Setores como aço e alumínio sofreram quedas nas exportações devido a tarifas de 25%.
O T-MEC se tornou ainda mais vital, pois a isenção de tarifas para produtos que atendem às suas exigências levou muitos fabricantes a mudarem suas estratégias. A participação das importações americanas realizadas sob o acordo aumentou drasticamente, de cerca de 49% para 86%-87% para o México em meses recentes, segundo Erica York.
A reconfiguração do mercado mundial, impulsionada pelas tarifas de Trump, também beneficiou o México indiretamente. Com o esgotamento de estoques de produtos de outras regiões, fabricantes que já operavam no México ganharam espaço, consolidando o país como um parceiro comercial cada vez mais importante para os EUA, superando a China e o Canadá em algumas análises.
O Futuro Incerto do T-MEC e a Busca por Diversificação
A declaração de Donald Trump em janeiro, de que o T-MEC parece “irrelevante”, gerou apreensão sobre a continuidade do acordo, cuja renegociação está prevista para este ano. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, expressou confiança na relação comercial com os EUA, dada a grande integração industrial entre os países.
Por outro lado, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, buscou novos acordos comerciais com a China, um movimento que, segundo Mario Campa, pode ser um “mau sinal” para a sobrevivência do T-MEC. Campa alerta para a possibilidade de cenários diversos, desde a renovação do acordo até sua desintegração.
Diante dessa incerteza, o México busca diversificar seu comércio exterior. O “Plano México”, anunciado pela presidente Sheinbaum, visa reduzir a dependência dos Estados Unidos. Para Mario Campa, esta é uma aposta ousada, mas necessária, para explorar novos caminhos comerciais e mitigar riscos em caso de um desfecho desfavorável na renegociação do T-MEC.