O achado de conversas e registros telefônicos no telefone do banqueiro Daniel Vorcaro colocou o Caso Master no centro de uma crise aberta entre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal.
As mensagens, segundo reportagem, citam o ministro Dias Toffoli e trazem menções a transações envolvendo a empresa Maridt Participações, com possível ligação a intermediários e fundos que atuaram na venda de participação no resort Tayayá.
O episódio resultou na redistribuição da relatoria do processo, em meio a críticas e receios sobre o impacto das provas na investigação, conforme informação divulgada pelo g1.
O que as mensagens e a perícia mostram
A perícia da Polícia Federal feita nos aparelhos apreendidos na Operação Compliance Zero identificou trocas de mensagens e registros de chamadas que mencionam o nome do ministro Dias Toffoli, além de conversas com o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, apontado como intermediário em negócios ligados ao resort Tayayá, no Paraná.
Fontes ligadas à investigação relatam que o relatório entregue ao STF tem cerca de 180-200 páginas, e que em trechos as referências a repasses estariam cifradas, mas indicariam valores expressivos, possivelmente na ordem de R$ 20 milhões, oriundos da venda da fatia da Maridt a fundos associados a Zettel, como Arleen e Leal.
Reação de Toffoli e mudança de relatoria
O ministro Dias Toffoli negou qualquer relação de amizade íntima com Vorcaro e afirmou não ter recebido valores diretos de Vorcaro ou de Zettel. Toffoli confirmou ser sócio da Maridt, uma sociedade familiar administrada por seus irmãos, e disse que as operações foram declaradas e realizadas a valor de mercado.
Na noite em que a pressão aumentou, o presidente do STF, Edson Fachin, convocou uma reunião com todos os ministros, e o processo teve a relatoria redistribuída para o ministro André Mendonça, a pedido de Fachin e com nota conjunta dos dez ministros citando “altos interesses institucionais” e afirmando inexistência de suspeição legal.
Impacto institucional e riscos para a investigação
Nos bastidores, autoridades descrevem um clima conflituoso entre PF e STF, com investigadores afirmando que decisões tomadas quando Toffoli assumiu a relatoria em novembro de 2025, como manter provas lacradas inicialmente no STF antes de enviar à PGR, podem ter prejudicado a apuração e aberto risco de nulidade.
Analistas e fontes ouvidas por veículos noticiosos apontam que o episódio pode alimentar narrativas antijudiciário entre setores bolsonaristas, e que o desgaste, apesar do apoio público declarado a Toffoli por colegas de Corte, tende a repercutir politicamente nas próximas semanas.
Posição da PF e próximos passos do Caso Master
A Polícia Federal sofreu críticas por supostos vazamentos de informações sigilosas, enquanto a investigação sobre fraudes financeiras e liquidações envolvendo o Banco Master segue com trechos sob sigilo. Autoridades da PF entregaram pessoalmente o relatório ao STF, por meio do diretor-geral Andrei Rodrigues, ao presidente Edson Fachin.
Com a troca de relatoria, a expectativa é que André Mendonça marque reuniões com a PF para dar seguimento às diligências, e que a redistribuição vise preservar a validade das provas, ao mesmo tempo em que acentua as tensões institucionais em Brasília.