Mendonça defende “recatamento” de juízes e critica privilégios, em meio a polêmicas envolvendo Moraes e Toffoli no STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, destacou a necessidade de prudência e imparcialidade na atuação judicial, em um discurso proferido durante uma homenagem na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) na noite desta segunda-feira (6).
Suas declarações surgem em um momento de desgastes para outros ministros da Corte, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, que foram associados a um empresário investigado. Mendonça enfatizou que a função de juiz exige um “recatamento, no bom sentido da expressão”, para evitar ações que comprometam a credibilidade perante a sociedade.
O ministro ressaltou que a imparcialidade implica em tratar todos de forma igualitária, considerar os interesses envolvidos de maneira equânime e “não privilegiar amigos, não perseguir inimigos”. A fala, que ecoa defesas anteriores do presidente do STF, Edson Fachin, sobre um código de conduta, foi feita em um evento que reuniu figuras políticas de diferentes espectros, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e um deputado petista.
Críticas indiretas e apoio político marcam homenagem a Mendonça
A cerimônia, que concedeu a Mendonça o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a maior honraria da Alesp, contou com a presença do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Ambos elogiaram a atuação do ministro, com falas interpretadas como críticas veladas a outros integrantes do STF.
Tarcísio de Freitas descreveu Mendonça como alguém que “representa, às vezes, a esperança no deserto” e que compreendeu como ninguém a importância da imparcialidade para a segurança jurídica. O governador destacou a atuação do ministro com “discrição, porém com firmeza, atuando nos estritos limites da lei”.
Ricardo Nunes, por sua vez, afirmou que os casos complexos relatados por Mendonça, como o do Banco Master, estão em boas mãos, garantindo que “não haverá perseguição, não haverá decisão fora da Constituição”. A declaração foi vista como uma alfinetada a Alexandre de Moraes, frequentemente acusado por bolsonaristas de perseguir o ex-presidente.
Mendonça reforça compromisso com a imparcialidade e elogia futuro colega no STF
Em seu discurso, André Mendonça reiterou seu compromisso com a imparcialidade, afirmando que busca ser “igualitário” e evitar “privilegiar amigos”. A declaração ganha relevo em meio a questionamentos sobre a proximidade de ministros como Moraes e Toffoli com Daniel Vorcaro, figura central em investigações.
O ministro também cumprimentou a presença do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para o STF. Mendonça, que é evangélico como Messias, expressou votos de que o advogado-geral em breve esteja ao seu lado na Corte, demonstrando articulador político também em nomeações para o judiciário.
Políticos de diferentes espectros prestigiam evento na Alesp
A homenagem a André Mendonça reuniu um diversificado grupo de políticos. Deputados federais e estaduais ligados ao PL e Republicanos, como Rosana Valle, Lucas Bove, Gil Diniz e Tomé Abduch, marcaram presença. Valdemar Costa Neto, presidente nacional do PL, também compareceu para cumprimentar o ministro.
Por outro lado, o evento contou também com a participação de Emídio de Souza, deputado estadual petista e próximo a Lula, que coordenará o plano de governo de Fernando Haddad para o governo de São Paulo. Essa presença demonstra a busca por diálogo e a complexidade política em torno de figuras proeminentes do judiciário brasileiro.