Polícia Civil do Amazonas confirma adulteração em vídeo de defesa de médica investigada pela morte de Benício
A Polícia Civil do Amazonas confirmou nesta segunda-feira (23) que o vídeo apresentado pela defesa da médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, foi adulterado. A gravação, divulgada em dezembro, era usada para sustentar a tese de falha no sistema de prescrição médica, que teria alterado automaticamente a via de administração de um medicamento.
O caso chocou o país em novembro do ano passado, quando Benício faleceu após receber uma dose de adrenalina na veia. Segundo a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram adequadas para o quadro clínico da criança. A defesa da médica buscou, através do vídeo, comprovar que a responsabilidade pelo erro não seria dela, mas sim de uma falha tecnológica.
A investigação policial, no entanto, descartou a possibilidade de falha no sistema e apontou a manipulação do conteúdo. O laudo pericial, divulgado em janeiro, já havia concluído que o sistema de prescrição médica funciona corretamente e que a escolha da via de administração é uma decisão exclusiva do profissional de saúde. As informações são do portal g1.
Vídeo apresentado como prova de falha no sistema é considerado adulterado
O vídeo em questão foi apresentado pela defesa de Juliana Brasil como evidência de que o sistema de prescrição médica teria, de forma automática, alterado a via de administração da medicação. Os advogados da médica sustentaram que essa suposta falha poderia ter contribuído para o erro no atendimento. No entanto, a polícia, após análise, confirmou que o material foi manipulado.
O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que a perícia descartou qualquer falha no sistema e comprovou a adulteração do conteúdo. Segundo ele, o vídeo visava atribuir a um erro do sistema a aplicação incorreta de adrenalina na criança, o que não condiz com a realidade.
Morte de Benício: detalhes da investigação e a prescrição da adrenalina
Benício Xavier faleceu em 23 de novembro, após ser levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. De acordo com o pai, Bruno Freitas, a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, a cada 30 minutos. A família chegou a questionar a tática de enfermagem sobre a prescrição.
Logo após a primeira aplicação da adrenalina, Benício apresentou uma piora súbita. A criança foi levada para a sala vermelha, onde seu quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada. Pouco depois, um leito de UTI foi solicitado.
Investigação apura participação de familiares e outra médica no caso
A investigação policial não se limita à médica Juliana Brasil. A polícia também apura a participação da irmã dela, a estudante de medicina Geovana Brasil, que prestou depoimento e optou por permanecer em silêncio. Há também a suspeita de envolvimento de outra médica, identificada como “Luisa”, que negou qualquer participação no caso.
O inquérito é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas com o acompanhamento do Ministério Público do Amazonas (MPAM). A investigação aguarda a conclusão de laudos periciais, como o exame de necropsia de Benício, para ser finalizada. O Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e que uma investigação interna foi iniciada.