Massacre do Compaj: Primeiras Condenações Chegam a Mais de 100 Anos de Prisão no Amazonas
A Justiça do Amazonas proferiu as primeiras sentenças relacionadas ao brutal Massacre do Compaj, ocorrido em 2017. Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira foram condenados a penas que, somadas, ultrapassam um século de reclusão em regime fechado. Estes julgamentos marcam um passo significativo na busca por justiça para as 56 vítimas do que se tornou o segundo maior massacre em presídios da história do Brasil.
As sentenças, divulgadas na última quinta-feira (15), estabelecem um marco importante para os 22 processos que ainda serão julgados. Anderson Silva do Nascimento recebeu a pena mais alta, de 109 anos e 10 meses, enquanto Geymison Marques de Oliveira foi sentenciado a 11 anos e nove meses. As condenações foram baseadas em crimes como homicídio qualificado, tentativa de homicídio, vilipêndio de cadáver, tortura e organização criminosa, conforme apurado nas investigações.
O julgamento, que se estendeu por vários dias e foi considerado um dos mais complexos já realizados pelo Tribunal do Júri do Amazonas, contou com a participação de magistrados, membros do Ministério Público e as defesas dos réus. Este é apenas o início de uma série de julgamentos que visam apurar as responsabilidades pela chacina que teve início em janeiro de 2017. Conforme informação divulgada pela Justiça do Amazonas, as demais ações relacionadas ao Massacre do Compaj deverão ser pautadas ao longo do ano de 2026.
Detalhes das Condenações e Crimes Apurados
As condenações de Anderson Silva do Nascimento e Geymison Marques de Oliveira foram embasadas em diversas acusações graves. Ambos foram considerados culpados pela prática de homicídio qualificado em 56 casos, motivados por disputas entre facções criminosas, utilizando meios cruéis e recursos que dificultaram a defesa das vítimas. Além disso, foram condenados por tentativa de homicídio e vilipêndio de cadáver em 45 ocasiões, referentes a atos de esquartejamento e decapitação.
A tortura praticada contra os detentos antes de serem mortos também foi um dos crimes considerados nas sentenças. A participação em organização criminosa, pela atuação estruturada dentro de uma facção, completou o rol de acusações que levaram às longas penas. Anderson Silva do Nascimento já se encontrava preso e participou presencialmente do júri, enquanto Geymison Marques de Oliveira participou por videoconferência, alegando ter recebido ameaças de morte.
O Massacre do Compaj e Suas Consequências
O Massacre do Compaj, ocorrido em janeiro de 2017, foi um evento chocante que durou 17 horas. A rebelião começou quando membros da facção Família do Norte (FDN) invadiram a ala de detentos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O conflito resultou em cenas de extrema violência, com corpos esquartejados, decapitados e queimados. Durante o motim, 112 detentos conseguiram fugir, aumentando ainda mais a gravidade da situação.
Especialistas apontam o rompimento da aliança entre o Comando Vermelho e o PCC, que disputavam o controle do tráfico de drogas, como a principal causa do massacre. O então secretário de Segurança, Sérgio Fontes, indicou que a FDN comandou o ataque, que não teria sido planejado previamente. Fontes também mencionou indícios de ligação entre o motim do Compaj e a rebelião ocorrida horas antes no Instituto Penal Antônio Trindade (Ipat), de onde fugiram 87 presos.
Histórico de Violência e Gestão Penitenciária
A violência no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) não se restringiu ao massacre de 2017. Dois anos depois, em 2019, uma nova rebelião deixou 15 mortos, evidenciando a persistência dos problemas de segurança e controle nas unidades prisionais. Em resposta a esse novo episódio, o Governo do Amazonas decidiu não renovar o contrato com a empresa responsável pela administração do presídio, repassando a gestão para outra terceirizada.
O Massacre do Compaj, que vitimou 56 pessoas, é um lembrete sombrio da crise no sistema penitenciário brasileiro e da necessidade urgente de soluções eficazes para garantir a segurança e a dignidade humana dentro das prisões. As condenações são um passo importante, mas a complexidade do caso e a quantidade de processos em andamento indicam que a busca por justiça ainda é um caminho longo.