Lula realiza cirurgia de catarata no olho esquerdo e recebe alta; saiba mais sobre a doença e o procedimento
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por uma cirurgia de catarata no olho esquerdo na manhã desta sexta-feira (30) e já recebeu alta hospitalar. Este é um procedimento oftalmológico bastante comum, especialmente com o avanço da idade, e que visa restaurar a visão afetada pela opacidade do cristalino.
A cirurgia de catarata é realizada com anestesia local, é rápida, indolor e não requer internação. O pós-operatório geralmente envolve repouso relativo, evitando esforço e o contato direto com os olhos, além do uso de colírios prescritos para prevenir infecções e inflamações.
Conforme explica a presidente do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), Maria Auxiliadora Frazão, a catarata se caracteriza pela opacidade do cristalino, a lente natural do olho. Com o tempo, essa opacidade compromete a visão, sendo a cirurgia a solução para a substituição do cristalino por uma lente artificial. As informações foram divulgadas pelo CBO.
O que é a catarata e quais os seus sinais?
A catarata é uma condição que causa a diminuição progressiva da visão. Os sintomas mais comuns incluem:
Visão turva, nebulosa ou com aspecto de “véu”, sensibilidade aumentada à luz, e alterações na percepção de cores, que podem parecer desbotadas ou amareladas. Dificuldade para enxergar em ambientes com pouca iluminação, especialmente à noite, também é um sinal frequente.
Outros indicativos incluem a percepção de halos ao redor de luzes, visão dupla em um único olho, e a necessidade constante de alterar a graduação dos óculos. Algumas pessoas relatam ver círculos coloridos ou reflexos intensos em volta de lâmpadas e faróis. É importante estar atento, pois a necessidade frequente de mudar a prescrição de lentes ou enxergar duas imagens de um mesmo objeto, mesmo com um olho fechado, são sinais de alerta.
Como é feita a cirurgia de catarata?
De acordo com Maria Auxiliadora Frazão, “todas as pessoas terão que operar a catarata um dia, com o tempo – duas vezes, pois temos dois olhos”. A médica ressalta que o procedimento é idealmente realizado em um olho de cada vez, com um intervalo de algumas semanas entre as cirurgias, como ocorreu com o presidente Lula, que já havia operado o olho direito.
“Assim, avaliamos os resultados, como o organismo responde, se o grau ficou bom e se evoluiu bem. Se sim, seguimos da mesma forma para o outro olho”, detalha Frazão. Essa abordagem permite monitorar a recuperação e o resultado visual antes de prosseguir com o segundo olho.
Riscos, contraindicações e dados no Brasil
Como qualquer intervenção cirúrgica, a cirurgia de catarata apresenta riscos, como infecções ou descolamento de retina. “Por isso, a cirurgia deve ser realizada com planejamento e responsabilidade, sem subestimar um procedimento realizado dentro do olho”, alerta Maria Auxiliadora Frazão.
Antes do procedimento, são realizados exames para avaliar as condições de saúde do paciente. Condições como diabetes descontrolado ou alterações na retina podem levar ao adiamento ou contraindicação da cirurgia. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) destaca que a cirurgia de catarata é o procedimento oftalmológico eletivo mais realizado no Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados do Observatório da Saúde Ocular do CBO indicam que o SUS realizou 7,8 milhões de cirurgias de catarata entre janeiro de 2015 e novembro de 2025, com um aumento de 120% em dez anos. Em 2015, foram cerca de 470 mil procedimentos, enquanto em 2025 o número chegou a mais de 1 milhão até novembro. Em 2024, 52% das cirurgias no SUS foram em pessoas entre 40 e 69 anos, e 46% em pacientes com 70 anos ou mais.