Lula no Piauí: Presidente evita STF, critica oposição e pede ‘respeito’ dos EUA em campanha acirrada
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marcou presença em um vibrante ato de campanha no Piauí, um estado historicamente fiel ao petista. O evento, realizado na Arena Carhoo, em Teresina, reuniu uma multidão estimada em 50 mil pessoas, de acordo com o governador Rafael Fonteles (PT).
Em seu discurso, Lula traçou um panorama de sua campanha, focando em temas como educação, combate ao feminicídio e a soberania nacional. Ele também aproveitou a ocasião para direcionar críticas à oposição e fazer um alerta sobre a interferência estrangeira nas eleições brasileiras.
Apesar de o ambiente político nacional ter sido marcado por discussões sobre o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal, o presidente optou por não abordar diretamente esses assuntos. A exceção foi a ex-governadora Regina Sousa, que trouxe à tona as recentes movimentações institucionais.
Lula critica interferência dos EUA e ataca oposição com veemência
Em um dos pontos altos de seu pronunciamento, Lula reiterou sua posição sobre a política externa, afirmando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve se concentrar em assuntos internos de seu país. “Que não venham os americanos influir nas nossas eleições. A gente sabe o que eles são capazes. E se eles vierem se meter aqui, a gente vai derrotá-los, os americanos e quem mais se meter”, declarou o presidente.
O chefe do Executivo também dirigiu duras críticas aos brasileiros que demonstram apoio a bandeiras estrangeiras em comícios. Ele os classificou como “vira-latas, traidores da pátria e que não têm nenhum compromisso com esse país”, em uma clara alusão à oposição. Lula também endossou a candidatura de Júlio César ao Senado, sinalizando que não aceita alianças com aqueles que considera “vira-latas”.
Pautas sociais e a força feminina em destaque no comício
O presidente Lula também dedicou parte de seu discurso a temas sociais importantes, ressaltando a necessidade de resolver “definitivamente o problema da educação neste país” em um eventual quarto mandato. A defesa dos direitos das mulheres ganhou um tom especialmente emotivo quando Lula relembrou a figura de sua mãe, dona Lindu, e as dificuldades que ela enfrentou para criar seus filhos.
“Eu sei o que é uma mãe ficar na beira do fogão com 8 filhos do lado sem ter o que comer. E ela dizia: ‘hoje não tem, mas amanhã vai ter’. Eu sei o que as mulheres passam. Enquanto eu for vivo, as mulheres podem ter certeza que eu estarei do lado delas”, emocionou-se o presidente. A primeira-dama, Janja da Silva, também discursou, focando na importância do eleitorado feminino, que representa 52% do total de votantes no Brasil, e criticou a gestão da pandemia pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Regina Sousa traz à tona crise no STF e na Polícia Federal
Em um momento de maior contundência política, a ex-governadora Regina Sousa foi a única a abordar diretamente a crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal e a Polícia Federal. Ela expressou preocupação com tentativas de “ganhar a eleição no tapetão” e com decisões que afetam a credibilidade das instituições.
“Lá dentro do Supremo tem alguém armando isso. A Polícia Federal tem a maior credibilidade e aí vem alguém e manda demitir o diretor da Polícia Federal e o diretor de Inteligência”, afirmou Sousa, referindo-se indiretamente a decisões recentes, sem citar nominalmente o ministro responsável. Ela destacou a importância dos diretores afastados em prisões relevantes, como a de “Vorcaro” e dos mandantes do assassinato de Marielle Franco.
Piauí: um reduto lulista e cenário de pesquisas eleitorais
O Piauí se consolida como um forte reduto eleitoral para Lula. Em 2022, o petista obteve 76,86% dos votos no estado. Pesquisas recentes, como a divulgada pela AtlasIntel/MeioNorte em 3 de setembro, confirmam a liderança de Lula no segundo turno, com 68,3% das intenções de voto, contra 24,4% de Flávio Bolsonaro. Para o governo estadual, Rafael Fonteles aparece com 62,4% das intenções de voto, com previsão de vitória ainda no primeiro turno.
No cenário para o Senado, as pesquisas indicam Marcelo Castro na liderança, com 22,4% das intenções de voto. Para a segunda vaga, Júlio César e Ciro Nogueira aparecem em disputa, com 17,2% e 13,3% das intenções de voto, respectivamente. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.