Lula e líderes internacionais buscam saída pacífica para crise na Venezuela, condenando ação militar
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve conversas importantes nesta quinta-feira (8) com líderes internacionais para discutir a complexa situação na Venezuela. O foco principal das negociações foi a busca por uma transição de poder pacífica e negociada no país sul-americano.
As conversas envolveram o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Ambos os líderes compartilharam com o presidente brasileiro a preocupação com os recentes acontecimentos e reforçaram a necessidade de o povo venezuelano liderar seu próprio processo de mudança.
Esses diálogos ocorrem em um contexto de tensão regional e internacional, especialmente após a ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. O governo brasileiro, em conjunto com outros países, tem se posicionado firmemente contra o uso da força, defendendo o direito internacional e a soberania das nações.
Diálogo com o Canadá sobre o futuro da Venezuela
O gabinete do primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou o contato com o presidente Lula. Durante a conversa, ambos os líderes reafirmaram seu apoio a um processo de transição pacífico na Venezuela. A posição conjunta destaca que tal processo deve ser construído de forma negociada e, fundamentalmente, sob a liderança do próprio povo venezuelano.
Como resultado da conversa, Carney aceitou um convite para visitar o Brasil em abril, sinalizando a importância da cooperação bilateral em temas de política externa. A aproximação entre Brasil e Canadá demonstra um esforço conjunto para encontrar estabilidade na América do Sul.
Colômbia e Brasil em Harmonia pela Paz Venezuelana
Em outra frente diplomática relevante, o presidente Lula também conversou com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. As discussões entre os dois mandatários sul-americanos também tiveram como eixo central a crise venezuelana.
Segundo o Itamaraty, Lula e Petro concordaram que a resolução da crise venezuelana deve ocorrer exclusivamente por meios pacíficos. Ambos enfatizaram a necessidade de respeito à vontade soberana do povo da Venezuela.
Condenação à Ação Militar e Preocupação com Precedentes
Um ponto crucial das conversas foi a repercussão da ação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Tanto o presidente brasileiro quanto o colombiano expressaram grande preocupação com o que consideram “um precedente extremamente perigoso para a paz e a segurança regionais e para a ordem internacional”.
A nota divulgada pelo Itamaraty ressalta que Lula e Petro manifestaram profunda apreensão com o uso da força contra um país sul-americano, o que, segundo eles, representa uma violação direta ao direito internacional, à Carta das Nações Unidas e à soberania venezuelana.
Esta posição se alinha à manifestação pública do presidente Lula no sábado (3), quando ele divulgou uma nota condenando os bombardeios e a captura do ditador Nicolás Maduro. Na ocasião, Lula classificou a ação como uma afronta à soberania venezuelana e um “precedente perigoso” para a comunidade internacional. O Brasil, junto com outros 21 países, já havia expressado essa condenação durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU no início da semana.