Lula critica atuação do Conselho de Segurança da ONU e defende multilateralismo

Em discurso na COP15, em Campo Grande (MS), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o chefe do Executivo, o órgão tem se mostrado “omisso” na resolução de conflitos internacionais.

A declaração foi feita durante a sessão especial da 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que o Brasil sedia pela primeira vez. Lula ressaltou conquistas históricas da ONU, mas apontou falhas no Conselho de Segurança.

“Um mundo sem regras é um mundo inseguro, onde qualquer um pode ser a próxima vítima”, afirmou o presidente, defendendo um “multilateralismo forte e renovado” para enfrentar os desafios globais. As informações foram divulgadas pelo portal G1.

Brasil sedia e preside a COP15 com foco em cooperação ambiental

A COP15, que acontece em Campo Grande até 29 de março, marca a primeira vez que o Brasil sedia e preside a conferência. A escolha da cidade, próxima ao Pantanal, foi estratégica para destacar a riqueza natural da América do Sul e a interdependência entre os países, cujas faunas e floras atravessam fronteiras.

“A Convenção sobre Espécies Migratórias nos lembra de uma mensagem simples, mas poderosa: migrar é natural”, disse Lula, enfatizando que a natureza não conhece limites entre Estados. A conferência busca ampliar e mobilizar recursos financeiros e criar mecanismos multilaterais inovadores para a proteção de espécies migratórias.

Lula detalha prioridades da presidência brasileira na COP15

A presidência brasileira da COP15 tem três prioridades claras. A primeira é dialogar com os princípios consagrados pelas Convenções do Clima, da Desertificação e da Biodiversidade, como as responsabilidades comuns, porém diferenciadas. A segunda visa ampliar e mobilizar recursos financeiros, criando fundos e mecanismos multilaterais inovadores, especialmente para países em desenvolvimento.

A terceira prioridade é a universalização, com a “Declaração do Pantanal”, adotada durante o evento, propondo que mais países se envolvam eficazmente na proteção de espécies e rotas migratórias. Lula destacou a importância da articulação e da gestão compartilhada para a proteção da biodiversidade.

Críticas à omissão do Conselho de Segurança da ONU

Em seu discurso, Lula fez um paralelo entre as conquistas da ONU em 80 anos de história, como nos processos de descolonização e na erradicação da varíola, e a inação do Conselho de Segurança. “Mas o Conselho de Segurança tem sido omisso na busca por soluções de conflitos”, declarou o presidente.

Ele ressaltou que a história da humanidade é marcada por migrações e conexões, e que, em vez de muros e discursos de ódio, são necessárias políticas de acolhimento. A COP15 é vista como um espaço para avanços coletivos na defesa da natureza e da humanidade, em um contexto de “grandes tensões geopolíticas”.

Brasil anuncia novas medidas de conservação ambiental

Durante a COP15, o Brasil anunciou a criação de três novas medidas de conservação. Foi criada a reserva Córregos dos Vales do Norte de Minas Gerais, com 41.000 hectares. Além disso, a área do Parque Nacional do Pantanal foi ampliada em 47.000 hectares, totalizando 183 mil hectares protegidos.

Outra medida foi a ampliação da Estação Ecológica de Taiamã, em Mato Grosso, em 57.000 hectares, elevando a área protegida para 68.000 hectares. O objetivo é alcançar a meta de 30% de proteção da área oceânica até 2030, conforme previsto na Convenção sobre Diversidade Biológica.