Liquidação do Will Bank: O que acontece quando um banco fecha e como proteger seu dinheiro

A recente liquidação extrajudicial do Will Bank, que seguiu o caso do Banco Master, trouxe à tona dúvidas sobre o funcionamento desses processos. Muitos clientes e investidores se perguntam sobre a segurança de suas economias e o destino de seus investimentos.

A decisão do Banco Central de intervir em instituições financeiras visa, primordialmente, proteger os depositantes e o sistema financeiro como um todo. Mas, na prática, como isso se desenrola e quais são os impactos diretos para quem tinha dinheiro ou aplicações nessas entidades?

Para esclarecer essas questões, é fundamental compreender o que é a liquidação extrajudicial, quem a determina e quais são os direitos e deveres de cada parte envolvida. As informações foram divulgadas pelo próprio Banco Central e pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O que é liquidação extrajudicial e por que ela acontece?

A liquidação extrajudicial é um procedimento administrativo que encerra de forma organizada as atividades de instituições financeiras em grave crise. Segundo o Banco Central, o objetivo é proteger depositantes, credores e o sistema financeiro, evitando prejuízos maiores ou uma falência desordenada.

Esse regime é aplicado quando a situação financeira de um banco se torna insustentável. No caso do Will Bank, a deterioração financeira, o aumento de passivos e dificuldades operacionais foram fatores decisivos. O descumprimento de compromissos no arranjo de pagamentos da Mastercard, que levou ao bloqueio do uso de cartões, foi o estopim para a declaração de insolvência.

O Banco Central, em comunicado oficial, afirmou que a liquidação do Will Bank se tornou inevitável devido ao comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, sua incapacidade de honrar obrigações e o vínculo direto com o Banco Master, que já estava em liquidação.

Quem decide pela liquidação e o que ocorre com o banco?

A decretação da liquidação extrajudicial de instituições financeiras é uma atribuição exclusiva do Banco Central. A iniciativa pode partir do próprio órgão regulador ou, em alguns casos, dos administradores da instituição, desde que previsto em seus estatutos. A legislação autoriza a medida em situações como insolvência sem possibilidade de reversão, descumprimento de normas, fraudes, falhas operacionais graves ou gestão temerária.

Após a decretação, as operações do banco são interrompidas. Contas, transferências, cartões e novos contratos deixam de funcionar. Um liquidante é nomeado pelo Banco Central para levantar bens, dívidas e créditos, vender ativos e organizar o pagamento dos credores, seguindo a ordem legal.

Como ficam os clientes e seus investimentos?

Quem possuía conta no Will Bank perdeu o acesso imediato aos serviços. O saldo existente passou a integrar o passivo da instituição, e o correntista se tornou um credor no processo de liquidação. O pagamento dependerá das garantias disponíveis e do andamento do trabalho do liquidante.

Depósitos e alguns investimentos contam com a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC assegura até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, para produtos elegíveis como conta corrente, poupança, CDB, RDB, LCI e LCA. No caso de conglomerados financeiros, o valor garantido pode variar.

O FGC já está efetuando o pagamento de cerca de R$ 40,6 bilhões a aproximadamente 800 mil investidores do Banco Master. Com a liquidação do Master, o passivo subiu em R$ 6,3 bilhões, totalizando um impacto final de R$ 46,9 bilhões, o que representa mais de um terço do patrimônio do fundo.

Dívidas e bens de administradores

É importante notar que a liquidação extrajudicial não elimina dívidas dos clientes. Empréstimos, financiamentos e faturas continuam válidos, e a administração desses contratos passa a ser feita pelo liquidante ou por outra instituição que eventualmente assuma as operações.

A lei também prevê a indisponibilidade dos bens de controladores e ex-administradores da instituição liquidada. Essa medida impede a transferência de patrimônio até que possíveis responsabilidades sejam apuradas, funcionando como uma proteção adicional aos credores.

Como o cliente deve proceder?

Clientes com contas ou investimentos em instituições liquidadas devem reunir extratos, contratos e comprovantes. É essencial acompanhar apenas comunicados oficiais do Banco Central, do liquidante e do FGC. O FGC não cobra taxas para efetuar pagamentos e alerta para tentativas de golpe em períodos de instabilidade bancária.

É crucial diferenciar liquidação extrajudicial de falência. A liquidação é a etapa inicial para instituições financeiras sob supervisão administrativa. A falência pode ser decretada posteriormente, caso os ativos sejam insuficientes ou irregularidades mais graves sejam identificadas.