Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã, declarou publicamente que Donald Trump não conseguirá acabar com a República Islâmica, em um discurso transmitido pela TV estatal nesta terça-feira (17). A declaração surge em um momento de alta tensão, com o Irã e os Estados Unidos engajados em negociações mediadas por Omã, visando limitar o programa nuclear iraniano. Khamenei também proferiu ameaças diretas às forças americanas, mencionando a possibilidade de afundar o porta-aviões USS Abraham Lincoln, que se encontra próximo às águas iranianas.

As conversas em Genebra ocorrem sob intensa pressão de Donald Trump, que busca um acordo para restringir as atividades nucleares do Irã. O presidente americano tem escalado a retórica e as ações militares contra o regime de Khamenei, ameaçando com “consequências” caso as negociações falhem. Trump indicou que participaria “indiretamente” das discussões, expressando ceticismo sobre a capacidade negociadora iraniana e mencionando o envio de bombardeiros B-2 para “destruir o potencial nuclear” do país.

Uma autoridade iraniana de alto escalão, citada pela Reuters, condicionou o sucesso das negociações à “seriedade dos EUA em suspender as sanções e evitar exigências fora da realidade”. Ao mesmo tempo, o Irã alega apresentar propostas “genuínas e construtivas”. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, por sua vez, descreveu o acordo como “difícil” e rotulou os líderes iranianos como “radicais”. Conforme informação divulgada pela Reuters e outras agências, o Irã e os EUA mantêm divergências significativas, com Washington exigindo o fim dos programas nuclear e de mísseis, além do apoio a grupos armados regionais, enquanto Teerã se dispõe a negociar apenas o programa nuclear.

Irã propõe diluir urânio enriquecido em troca de sanções

A principal autoridade nuclear iraniana revelou que o país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido, em troca do levantamento das sanções impostas. Atualmente, o Irã possui cerca de 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível perigosamente próximo ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear, de acordo com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, indicou a abertura do país a “inspeções” da AIEA para demonstrar a natureza pacífica de seu programa nuclear, mas ressaltou que não cederá a “exigências excessivas” dos Estados Unidos.

Trump alterna esperança e ameaças, EUA enviam mais porta-aviões

Donald Trump tem adotado uma postura de alternância entre sinais de esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime iraniano. Na semana passada, o presidente americano prometeu “medidas muito duras” caso as negociações fracassem e reforçou a presença militar na região. Além do porta-aviões USS Abraham Lincoln, os Estados Unidos posicionaram o USS Gerald Ford, o maior porta-aviões do mundo, em um cerco militar ao país do Oriente Médio.

Exercícios militares iranianos aumentam a tensão no Estreito de Ormuz

Em meio à escalada de tensões, a Guarda Revolucionária do Irã anunciou a realização de novos exercícios militares no Estreito de Ormuz. Essa ação aumenta ainda mais o risco de confrontos com as tropas americanas estacionadas na área, um ponto estratégico crucial para o tráfego marítimo global. A situação exige cautela de todas as partes envolvidas nas negociações e na segurança regional.