O corpo da brasileira Juliana Marins, de 24 anos, foi resgatado na manhã desta quarta-feira (25/6), cinco dias após sofrer uma queda de aproximadamente 300 metros durante uma trilha no vulcão Rinjani, na ilha de Lombok, Indonésia. Juliana foi encontrada sem vida na terça-feira (24), após passar quase quatro dias abandonada à própria sorte, mesmo tendo sido avistada com vida por turistas logo após o acidente.

O resgate, realizado pela Agência Nacional de Busca e Resgate da Indonésia (Basarnas), só aconteceu após forte pressão nas redes sociais e mobilização da família, que denunciou publicamente a lentidão e o descaso das autoridades locais e da embaixada brasileira no país. Durante o período crítico, enquanto Juliana ainda apresentava sinais de vida, não houve qualquer movimentação emergencial por parte da representação diplomática do Brasil para acelerar o socorro — o que, segundo familiares, poderia ter feito a diferença.

“Minha filha foi vista se mexendo, pedindo ajuda com os olhos, mas ninguém fez nada por horas. A embaixada sequer retornou nossas ligações no começo”, desabafou a mãe da jovem, em entrevista nas redes sociais.

Apesar de turistas terem conseguido enviar a localização exata e imagens de Juliana instantes após a queda, a operação de resgate foi extremamente demorada e desorganizada. O uso de helicópteros foi descartado pelas autoridades indonésias devido às condições climáticas, e só após dias de espera, equipes terrestres utilizaram cordas para içar o corpo — quando já não havia mais chance de salvar a jovem.

O chefe da Basarnas, Marechal do Ar TNI Muhammad Syafi’i, confirmou a dificuldade da operação e informou que o corpo foi levado até uma base para, posteriormente, seguir ao hospital e iniciar o processo de repatriação. No entanto, nenhum cronograma ou apoio logístico foi apresentado pela embaixada brasileira, e a família segue enfrentando obstáculos burocráticos para trazer Juliana de volta ao Brasil.

Quase quatro dias de agonia sem resgate

Juliana era natural de Niterói (RJ) e fazia um mochilão pela Ásia desde fevereiro. Estava na Indonésia com uma amiga e gravou vídeos momentos antes do acidente, encantada com a paisagem do Rinjani. Após a queda, ela foi vista com vida por turistas e drones, movendo os braços e mudando de posição lentamente na encosta. Imagens e localização foram compartilhadas com as autoridades, mas nada foi feito com urgência.

Segundo relatos de testemunhas, ela escorregou gradualmente montanha abaixo nos dias seguintes, sem qualquer auxílio, água, comida ou apoio médico. O abandono, somado às condições severas do terreno, resultou em sua morte em meio ao silêncio oficial.

Repercussão e revolta nas redes

A comoção tomou conta das redes sociais. Familiares e amigos criaram uma página para pedir ajuda internacional e denunciar o abandono da brasileira. Em poucas horas, o perfil já somava mais de 1,2 milhão de seguidores, tornando-se um dos assuntos mais comentados do país. A mobilização virtual foi essencial para pressionar as autoridades indonésias a finalmente iniciar o resgate, mesmo que tarde demais.

Internautas também criticaram duramente a atuação do governo brasileiro, apontando que, em casos semelhantes envolvendo cidadãos de outros países, o suporte das embaixadas é muito mais eficiente e imediato. A falta de ação, no caso de Juliana, revelou o despreparo e a negligência diante de emergências internacionais.

Agora, a família luta não apenas para trazer o corpo da jovem de volta, mas também por justiça — para que nenhuma outra família precise passar pelo mesmo abandono em um momento de desespero.