Kristi Noem, a ‘Barbie do ICE’, e o polêmico caso do cachorro executado a tiros
A secretária de Segurança Interna dos Estados Unidos, Kristi Noem, que está com o cargo ameaçado pela crise da política anti-imigração do governo Trump, já admitiu publicamente que executou seu próprio cachorro a tiros. A polêmica história voltou à tona em meio a operações de imigração controversas.
Apelidada pelos críticos de “Barbie do ICE”, Noem é uma figura central na política anti-imigração do governo Trump. Ela está na linha de frente das críticas após ações de agentes federais de imigração em Minneapolis, que resultaram na morte de dois cidadãos norte-americanos. A situação escalou tensões com a população e o governo locais, segundo a colunista do g1 Sandra Cohen.
A postura de Noem diante da crise em Minneapolis a colocou em uma posição delicada, com pedidos de renúncia vindos tanto de republicanos quanto de democratas do Congresso. Noem coleciona episódios controversos em sua biografia, incluindo a admissão em um livro sobre o assassinato de seu cachorro Cricket, com apenas 14 meses, por considerá-lo indomável. “Eu odiava aquele cão”, teria justificado a então governadora. Ela também relatou ter matado uma cabra da fazenda da família, descrevendo-a como “má, nojenta e malcheirosa”.
Operação anti-imigração em Minneapolis gera protestos e mortes
A operação anti-imigração do governo Trump em Minneapolis, iniciada no final de dezembro de 2025, ganhou notoriedade nacional e internacional após a morte de Renee Nicole Good, uma cidadã norte-americana, em 7 de janeiro. Ela foi morta a tiros por um agente de imigração durante uma abordagem.
Autoridades do governo Trump e o próprio presidente reforçaram a narrativa de que Good teria avançado o carro contra o agente. No entanto, vídeos do incidente indicam que o agente Jonathan Ross não foi atingido pelo veículo antes de disparar. A morte da mulher desencadeou protestos em larga escala na cidade.
Diversas autoridades locais, como o prefeito Jacob Frey e o governador Tim Walz, exigiram a saída do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândega) da cidade. A agência opera na chamada “Operation Metro Surge”. Comunidades somalis relataram detenções de cidadãos legais durante as operações.
Segunda morte e greves: a escalada da crise
As tensões entre os agentes federais e a população de Minneapolis se agravaram com a morte de outro cidadão, Pretti, em 24 de janeiro. Segundo testemunhas, ele interveio em uma batida do ICE para proteger pacientes de uma clínica comunitária. A morte de Pretti levou a greves de professores, fechamento de escolas e ações judiciais do estado de Minnesota contra o governo federal.
Diante da repercussão negativa e da pressão, o governo Trump foi obrigado a recuar em sua investida anti-imigração. O próprio presidente Donald Trump afirmou que buscava “desescalar” a situação em Minneapolis. O czar da fronteira, Tom Homan, indicou que a Casa Branca avaliava reduzir o número de agentes do ICE no estado.
Mudanças na liderança e expansão de poderes do ICE
Como consequência da crise, o chefe da operação anti-imigração, Gregory Bovino, foi removido do cargo, segundo agências de notícias e a mídia dos EUA. Apesar da aparente desescalada, o jornal “The New York Times” revelou na sexta-feira (30) que o governo Trump expandiu os poderes do ICE, permitindo que seus agentes efetuem prisões sem mandado, o que pode gerar novas controvérsias.
A história de Kristi Noem, a “Barbie do ICE”, e sua admissão sobre a execução de seu cachorro, combinada com a escalada da crise em Minneapolis, continua a gerar debates sobre a política de imigração e a conduta de autoridades nos Estados Unidos.