Kim Jong Un usa guerra no Irã para justificar arsenal nuclear e alerta EUA: “Nosso status nuclear é irreversível”

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong Un, declarou que a recente escalada de conflitos envolvendo os Estados Unidos e o Irã serve como prova da sabedoria de seu país em manter um arsenal nuclear. Segundo Kim, a situação atual justifica a decisão norte-coreana de rejeitar pressões americanas para abrir mão de suas armas atômicas.

Em pronunciamento à Assembleia Popular Suprema, divulgado nesta terça-feira (24), Kim Jong Un acusou Washington de praticar “atos de terrorismo e agressão patrocinados pelo Estado”, embora sem citar o nome do Irã diretamente. Ele enfatizou que o status nuclear da Coreia do Norte agora é considerado “irreversível”.

Essa retórica surge em um momento crucial, com o presidente dos EUA, Donald Trump, demonstrando recentemente abertura para retomar o diálogo com Kim. No entanto, as declarações do líder norte-coreano sinalizam uma postura significativamente mais rígida para quaisquer futuras conversações, mudando o foco das negociações.

Coreia do Norte vê conflito no Irã como reforço de sua doutrina nuclear

Para a liderança norte-coreana, os eventos no Oriente Médio reforçam uma crença de longa data: países sem armas nucleares estariam mais vulneráveis ao poder militar dos EUA, enquanto a posse dessas armas seria um fator de dissuasão. Kim Jong Un argumentou que a Coreia do Norte estava certa em rejeitar as “palavras doces” e a pressão dos EUA para desnuclearização.

A Coreia do Norte acredita possuir dezenas de ogivas nucleares e sistemas de entrega capazes de atingir o território continental dos EUA, embora estes nunca tenham sido completamente testados. Recentemente, o país realizou testes de armas de alto perfil, incluindo lançamentos de mísseis de cruzeiro e o que a mídia estatal descreveu como foguetes com capacidade nuclear.

Arsenal nuclear e sucessão: um programa geracional

Kim Jong Un prometeu expandir o arsenal nuclear de seu país, chamando de “vontade firme” do partido o aumento tanto do número de armas quanto dos meios de seu lançamento. Uma demonstração clara dessa intenção é a crescente aparição de sua filha adolescente, Kim Ju Ae, em eventos militares. Isso sugere que o programa nuclear norte-coreano não é apenas permanente, mas também um projeto geracional.

Essa política de fortalecimento nuclear ocorre em paralelo ao estreitamento dos laços com a Rússia. A televisão estatal russa exibiu imagens de tropas norte-coreanas treinando perto da frente ucraniana, apresentando a relação como uma forte parceria anti-EUA e destacando a crescente cooperação militar entre os dois países.

Cooperação militar com a Rússia e novas condições para o diálogo

A Coreia do Norte tem fornecido projéteis de artilharia e foguetes para a Rússia, além de ter enviado milhares de tropas para apoiar o esforço de guerra. Em troca, analistas indicam que Pyongyang recebeu alimentos, combustível, tecnologia militar sensível e dados de campo de batalha, cruciais para o aprimoramento de suas armas. Esse alinhamento complexifica a posição dos EUA, indicando que a Coreia do Norte opera dentro de uma rede mais ampla de nações opostas à influência americana.

Apesar do tom belicoso, Kim Jong Un não fechou completamente as portas para a diplomacia. Ele deixou uma pequena abertura para conversas com Washington, mas com condições claras: qualquer diálogo só será possível se os Estados Unidos aceitarem a Coreia do Norte como uma potência nuclear e abandonarem o que Pyongyang chama de “política hostil”, desistindo da exigência de desnuclearização.