O julgamento do deputado estadual Lucas Bove (PL-SP), que concorre à reeleição, foi agendado pela Justiça de São Paulo para ocorrer após as eleições. Bove é acusado de violência doméstica e perseguição por sua ex-esposa, a influenciadora Cíntia Chagas.

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público, foca no crime de descumprimento de medidas protetivas, com pena prevista de dois a cinco anos de reclusão e multa. Segundo a acusação, o parlamentar teria desrespeitado a ordem judicial em dez ocasiões distintas.

A decisão judicial estabeleceu que, caso Bove não possa comparecer na data designada, deverá notificar formalmente a Justiça em até dez dias. Uma nova audiência poderá ser marcada, considerando a disponibilidade do deputado, com a condição de que ocorra entre 8 e 23 de outubro. Conforme informação divulgada pela imprensa, a eleição ocorrerá dois dias antes do agendamento inicial do julgamento, em 4 de outubro.

Relato da Ex-esposa Detalha Agressões

O relacionamento entre Cíntia Chagas e Lucas Bove chegou ao fim em agosto de 2024, apenas três meses após o casamento realizado na Itália. Eles estavam juntos desde 2022. Em setembro, a influenciadora registrou um pedido de medida protetiva contra o deputado.

Em entrevista concedida à revista Marie Claire em outubro de 2024, Cíntia Chagas relatou um episódio de violência: “Ele arremessou a faca, que bateu na minha perna, e eu disse a ele: ‘Isso é violência, é agressão. Olha o que você fez’. Começou a sangrar [a perna], e ele disse: ‘Que bonitinha, que linda. Você vai me denunciar na Lei Maria da Penha, vai? Eu sou um deputado, meu amor. Eu acabo com você na hora em que quiser. Você será a louca. Experimente me enfrentar’”.

Deputado Nega Acusações e Alega Manipulação

Em sua defesa, Lucas Bove nega veementemente as acusações. Ele argumenta à Justiça que a influenciadora cometeu crimes de calúnia e difamação contra ele. Pelas redes sociais, citando o sigilo processual, o deputado afirmou estar “de mãos atadas e boca amordaçada”, mas expressou confiança de que “no momento certo, a verdade será restabelecida”.

Em discurso na Assembleia Legislativa, Bove declarou: “Fatos têm sempre dois lados. Histórias, prints e conversas podem ser facilmente manipulados”. A defesa do deputado emitiu uma nota oficial, reiterando a inocência de Bove e contestando a denúncia:

“O deputado Lucas Diez Bove, através de seu defesa, nega veemente todas as infundadas acusações formuladas por Cintia Maria Chagas. Reforça que nunca praticou qualquer ilicitude, nunca a ameaçou ou a agrediu, esclarecendo que recebeu com enorme surpresa o recebimento da denúncia, diante da precariedade do coligido na investigação e que a desmente. Ressalta-se que a defesa está adotando todas as medidas cabíveis para o adequado esclarecimento dos fatos, reiterando que Lucas confia na Justiça e permanece empenhado em comprovar a sua plena inocência, complementando que isso não representa óbice ou impedimento à sua candidatura nas eleições deste ano.”

Contexto Eleitoral e Próximos Passos

O agendamento do julgamento para o período pós-eleitoral levanta discussões sobre o impacto político do caso. A Justiça, ao ratificar o recebimento da denúncia e rejeitar o pedido de absolvição sumária da defesa, determinou que o processo siga seu curso.

O caso de violência doméstica envolvendo Lucas Bove e Cíntia Chagas ganha contornos de debate público e jurídico, com a proximidade das eleições adicionando uma camada de complexidade à situação do deputado candidato à reeleição. As investigações e o processo judicial seguem em andamento.