Laudo pericial aponta sangramento interno fatal em jovem morto por policiais em Manaus

Um laudo pericial obtido com exclusividade pelo g1 indica que João Paulo Maciel, de 19 anos, morreu devido a um grave sangramento interno após ser atingido por três tiros durante uma ação da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) em outubro de 2025. O caso ocorreu no bairro Vila da Prata, Zona Oeste de Manaus, e desencadeou uma onda de protestos na região.

A versão oficial da Polícia Militar à época apontava que os policiais teriam sido recebidos a tiros após uma denúncia de tráfico de drogas. Contudo, um vídeo gravado por um morador contradiz essa narrativa, mostrando policiais abordando João Paulo, que não apresentava resistência.

O documento detalha que os disparos causaram danos severos a órgãos vitais. A família e seus representantes legais classificam o ocorrido como uma execução e uma afronta ao Estado Democrático de Direito.

Detalhes do laudo pericial e a versão da família

De acordo com o laudo, João Paulo Maciel sofreu três perfurações de arma de fogo: uma no lado esquerdo do peito e duas na região abdominal. Os tiros atravessaram o corpo, saindo pelas costas, e atingiram órgãos essenciais como o coração e o fígado, resultando em hemorragia interna fatal.

A advogada da família, Doracy Queiroz de Oliveira Neta, declarou ao g1 que João Paulo foi rendido, algemado e levado para dentro de uma casa. Testemunhas relatam que o jovem teria sido torturado antes de ser encontrado morto, envolto em um lençol branco, pelos policiais. “Foi uma execução, João Paulo foi sentenciado à morte”, afirmou a advogada.

Contradições e o vídeo que chocou a população

O relatório de ocorrências da PM indica que os policiais estavam em perseguição a suspeitos de tráfico de drogas e que foram atacados a tiros ao entrarem em uma passagem lateral. Na ação, foram apreendidas munições, uma arma de fogo e entorpecentes.

Entretanto, o vídeo divulgado por uma testemunha mostra os policiais abordando João Paulo, que estava desarmado. O jovem é levado para um beco e, minutos depois, os agentes retornam carregando seu corpo. O pai do jovem informou que ele costumava jogar online com amigos no local da abordagem.

Investigação em andamento e protestos na capital

A Polícia Militar informou que instaurou um procedimento interno para apurar a conduta dos policiais envolvidos na ação. A investigação está em andamento, e a corporação reiterou que a versão dos fatos e os resultados da perícia serão considerados.

A morte de João Paulo Maciel gerou forte comoção e revolta. Dois dias após o ocorrido, familiares e amigos realizaram protestos na Avenida Brasil, no bairro Compensa, bloqueando a via e exigindo justiça. Os manifestantes portavam cartazes e atearam fogo a materiais em meio à avenida.