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Jornalismo de Conveniência: Quando a Carne Dourada Vale Menos que uma Viagem ao Caribe

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A denúncia que escancarou a hipocrisia

A recente revolta do jornalista Marcelo Generoso revisitou uma ferida exposta no jornalismo do Amazonas: a crise de parcialidade e a atuação seletiva de parte da imprensa local. Em sua crítica contundente, Generoso questiona o silêncio conveniente de nomes conhecidos da mídia diante de episódios escandalosos protagonizados por políticos aliados, enquanto demonstram indignação pública quando os alvos são desafetos.


Indignação sob demanda: quando convém, gritam; quando não, se calam

O caso é escancarado. A viagem do prefeito David Almeida ao Caribe com a esposa foi recebida com uma enxurrada de críticas, artigos e comentários indignados nas redes. Figuras como Anne Margarete, Lomitas, Nath Nascimento, Cynthia Blink e Rafaela Torres engrossaram o coro moralista, cobrando decoro e empatia.

Entretanto, quando os deputados Roberto Cidade e Alessandra Campelo foram flagrados jantando em restaurantes de luxo na Europa, consumindo carne folheada a ouro, símbolo do exagero e da ostentação, a mesma imprensa escolheu o silêncio. Nenhum vídeo revoltado. Nenhum texto indignado. Apenas omissão.


Silêncio estratégico: a nova arma da conivência

O que se vê é um padrão que fere os princípios fundamentais do jornalismo. A crítica só aparece quando é politicamente segura. Quando envolve aliados ou interesses pessoais, o microfone é desligado, o teclado silencia e a pauta é ignorada. Isso não é isenção é conivência.

Em um estado onde milhares de famílias enfrentam pobreza extrema, falta de acesso à saúde, educação precária e insegurança constante, a imprensa deveria cumprir o papel de vigilância ética. Ao contrário disso, parte dela se mostra confortável em ser seletiva atacando uns, protegendo outros.


Ou jornalismo, ou assessoria disfarçada

Essa postura põe em xeque a credibilidade de quem se diz comprometido com a verdade. O povo não pode aceitar que o noticiário seja guiado por amizades, alianças e conveniências. Se a ostentação de David Almeida foi condenada, por que a de Roberto Cidade e Alessandra Campelo é poupada?

A resposta é clara: o jornalismo que se cala diante do absurdo escolhe um lado. E esse lado, infelizmente, não é o do povo.


A imprensa precisa escolher: servir ao público ou proteger os poderosos

Não há espaço para um jornalismo morno em tempos de colapso social. O Amazonas exige uma imprensa corajosa, honesta e imparcial. Aquela que denuncia todos sem exceção quando há abusos com dinheiro público e desrespeito à população.

Quem escolhe o silêncio diante do erro se torna cúmplice dele. E quem se vende à conveniência perde o direito de se dizer jornalista. O povo enxerga. A história registra. E a ética cobra sempre.

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