Jorge Rodríguez anuncia libertação de prisioneiros na Venezuela como gesto de paz, após sequestro de Maduro
O líder chavista e presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, anunciou nesta quinta-feira (8) a libertação de um número significativo de prisioneiros, tanto venezuelanos quanto estrangeiros. A medida, descrita por Rodríguez como um gesto unilateral de paz, ocorre em um momento de crescente tensão no país.
A soltura de detidos tem sido uma reivindicação frequente da oposição venezuelana. Rodríguez enfatizou que a ação não foi resultado de acordos prévios com outras partes, mas sim uma decisão do governo bolivariano. A declaração vem após um período de intensificação da repressão nas ruas venezuelanas.
Em sua comunicação, Rodríguez também expressou gratidão a figuras internacionais que, segundo ele, apoiaram a Venezuela. Entre eles, destacou o ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o regime do Qatar, reconhecendo seus esforços em defesa do direito à vida plena e à autodeterminação do povo venezuelano. Contudo, não ficou claro o nível de envolvimento de cada um nas negociações para as libertações.
Intensificação da Repressão Após Captura de Maduro
Desde a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro, o regime venezuelano tem intensificado as medidas de segurança e controle. Relatos indicam um aumento na repressão, com interrogatórios em postos de controle e detenções de jornalistas, conforme noticiado pelo jornal “The New York Times”.
Na última segunda-feira, o governo ordenou a busca e captura nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao que chamaram de “ataque armado dos Estados Unidos”. Um estado de emergência foi decretado, resultando em maior presença policial e de agentes de segurança nas ruas, incluindo as “colectivos”, milícias armadas que realizam rondas.
Postos de Controle e Verificação de Telefones
A imposição de um estado de emergência levou ao estabelecimento de diversos postos de controle em todo o país. Nesses locais, veículos são parados e seus ocupantes submetidos a questionamentos. Grupos de direitos humanos informam que as autoridades têm verificado os telefones celulares dos indivíduos em busca de qualquer evidência de oposição ao governo de Maduro ou ao chavismo.
Gesto de Paz em Contexto Delicado
A decisão de libertar prisioneiros, em um cenário de crescente autoritarismo e controle estatal, é vista como um movimento estratégico por parte do governo venezuelano. A declaração de Jorge Rodríguez busca apresentar a medida como um ato unilateral de paz, embora as circunstâncias que a cercam sejam complexas e marcadas por eventos recentes de grande repercussão internacional, como a captura de Maduro.
O papel de mediadores internacionais como Lula e Zapatero nas negociações de libertação, ainda que não totalmente esclarecido, aponta para um esforço contínuo de busca por soluções diplomáticas em meio à crise venezuelana. A situação exige atenção, pois os desdobramentos dessas libertações e a manutenção do estado de emergência continuam a moldar o futuro político e social do país.