Jogadora do Irã Desiste de Asilo na Austrália e Volta para Casa Após Temor de Represálias

Um reviravolta marcou o caso de atletas iranianas que buscaram asilo na Austrália. Uma das jogadoras da seleção feminina de futebol do Irã, que inicialmente havia aceitado a oferta de proteção no país oceânico, decidiu retornar ao Irã. A decisão ocorreu após conversas com colegas de equipe e em meio a temores de represálias no país de origem.

O incidente ganhou destaque após jogadoras da seleção iraniana se recusarem a cantar o hino nacional durante a Copa da Ásia feminina, realizada na Austrália. O ato gerou forte reação na mídia estatal iraniana, que classificou o time como “traidores em tempos de guerra”, aumentando a preocupação com a segurança das atletas ao retornarem.

A situação complexa envolveu a polícia australiana e o governo, que ofereceu ajuda para que as atletas permanecessem no país. No entanto, a mudança de ideia de uma das jogadoras adicionou uma nova camada de incerteza ao caso, conforme anunciado pelo ministro do Interior da Austrália. A equipe já está em trânsito de volta ao Irã.

Duas Atletas Buscavam Refúgio, Uma Retorna

O ministro do Interior da Austrália, Tony Burke, informou que a atacante Mohaddeseh Zolfi, de 21 anos, e uma integrante da equipe de apoio, Zahra Soltan Moshkehkar, haviam aceitado a oferta de ajuda para permanecer na Austrália. Isso ocorreu um dia depois que outras cinco jogadoras já haviam recebido asilo. Contudo, uma delas reavaliou a decisão após diálogo com outras colegas que optaram por voltar ao Irã.

Burke não especificou qual das duas pessoas mudou de ideia, mas relatou que a segurança do restante do grupo foi comprometida após a integrante que decidiu retornar entrar em contato com a embaixada iraniana, revelando a localização do grupo. Zolfi e Moshkehkar foram separadas do restante da delegação com o auxílio da Polícia Federal Australiana antes de um voo doméstico.

Opções Oferecidas e Decisão Coletiva

Antes de deixarem o país, as autoridades australianas separaram o restante da equipe de seus acompanhantes iranianos no aeroporto de Sydney. As jogadoras foram informadas sobre suas opções. Segundo o ministro Burke, todas as jogadoras que estavam no aeroporto decidiram retornar ao Irã, e algumas delas chegaram a questionar a possibilidade de ajudar seus familiares a deixarem o Irã.

Apesar de terem discutido a oferta de permanência com seus familiares, a maioria optou por não ficar na Austrália. A delegação iraniana já chegou a Kuala Lumpur, na Malásia, ponto de parada em sua viagem de volta ao Irã. A Confederação Asiática de Futebol confirmou a chegada e informou que as jogadoras estão hospedadas em um hotel na capital malaia.

Embaixada do Irã Confirma Retorno e Desejo de Voltar para Casa

A embaixada do Irã em Kuala Lumpur declarou à agência malaia Bernama que as jogadoras estão bem e “querem voltar para casa”. A participação da seleção iraniana no torneio ocorreu em um contexto de tensões políticas, com ataques aéreos nos EUA e Israel contra o Irã. A equipe foi eliminada da competição no domingo anterior.

Grupos de iranianos residentes na Austrália realizaram protestos contra o governo do Irã, chegando a cercar o ônibus das jogadoras na cidade de Gold Coast. Manifestantes também estiveram presentes no aeroporto de Sydney. Na terça-feira, o gabinete do procurador-geral do Irã convidou os membros restantes da equipe a retornar ao país “com paz e confiança”, conforme noticiado pela imprensa iraniana.