Israel reage com veemência à nomeação de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã, enquanto EUA demonstram preocupação
O cenário geopolítico no Oriente Médio se intensifica com a sucessão da liderança suprema no Irã. Em uma declaração contundente, o Ministério das Relações Exteriores de Israel acusou Mojtaba Khamenei, recém-validado como o novo líder supremo iraniano, de ter as “mãos manchadas de sangue”.
A pasta israelense utilizou as redes sociais para divulgar uma imagem de Mojtaba Khamenei ao lado de seu pai, o falecido Aiatolá Ali Khamenei, ambos empunhando armas. A postagem foi acompanhada da legenda “A maçã não cai longe do pé”, uma clara alusão à escolha do filho para suceder o pai, comparando a situação ao ditado popular “filho de peixe, peixinho é”.
A nomeação de Mojtaba Khamenei também gerou reações nos Estados Unidos. Em entrevista exclusiva ao jornal “New York Post”, o presidente americano Donald Trump afirmou estar “longe de” ordenar uma missão terrestre no Irã, mas admitiu não estar “feliz” com a escolha do novo líder supremo iraniano. Trump revelou que há falta de consenso em seu governo sobre as próximas ações, mas descartou um envio de tropas em um futuro próximo.
EUA e a interferência na sucessão iraniana
Donald Trump já havia expressado anteriormente sua insatisfação com a possibilidade de Mojtaba Khamenei assumir a liderança do Irã. Dias antes da nomeação oficial, o presidente americano declarou que o próximo líder supremo iraniano “não iria durar muito” caso Teerã não obtivesse sua aprovação. Chegou a afirmar, na quinta-feira (5), que pretendia participar diretamente do processo de escolha, considerando a hipótese de Mojtaba Khamenei no posto como “inaceitável”.
Irã rebate críticas e exige desculpas dos EUA
Em resposta às declarações americanas, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, enfatizou em entrevista a uma emissora de TV que a escolha do novo líder supremo é uma prerrogativa exclusiva do povo iraniano, e não do presidente dos Estados Unidos. Araghchi também exigiu um pedido de desculpas de Donald Trump pelo que considera o início da guerra no Oriente Médio.
“Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder. Trump deveria pedir desculpas ao povo da região e ao povo iraniano pelos assassinatos e pela destruição que provocaram”, declarou o chanceler iraniano, reforçando a soberania nacional em detrimento de interferências externas.
O legado de Ali Khamenei e a ascensão de seu filho
A figura de Ali Khamenei, líder supremo falecido, é central para entender a dinâmica da sucessão. Seu filho, Mojtaba Khamenei, é visto por Israel como uma continuação direta de sua política e ideologia. A imagem divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores de Israel busca reforçar essa percepção, associando Mojtaba Khamenei à força militar e a um legado de conflitos.
A tensão entre Irã e Israel, intensificada por este evento, reflete um longo histórico de desconfiança e confrontos na região. A nomeação de Mojtaba Khamenei adiciona uma nova camada de complexidade às relações internacionais, com os Estados Unidos também demonstrando um posicionamento crítico em relação à nova liderança iraniana.