Irã anuncia cessar-fogo em ataques contra Israel, mas mantém tom de alerta

O comando militar do Irã divulgou um comunicado oficial nesta segunda-feira (8) anunciando a suspensão de suas operações militares contra Israel. A decisão surge após uma troca de tiros entre os dois países, a primeira desde a entrada em vigor de um cessar-fogo em abril. A ação foi descrita pelo governo iraniano como uma “resposta dolorosa” ao regime israelense.

Em seu pronunciamento, divulgado pela TV estatal, o comando de Khatam al-Anbiya declarou o fim das hostilidades. Contudo, o texto ressalta que, caso os atos de agressão e hostilidade continuem, incluindo ações no sul do Líbano, o Irã promete tomar “medidas muito mais severas e repressivas do que as anteriores”.

A declaração do Irã ocorre em um contexto de tensões elevadas na região e de divergências entre aliados. Conforme informação divulgada pela TV estatal, o comando militar iraniano afirmou que o regime deu uma “resposta dolorosa” ao governo israelense, mas agora busca uma pausa, sob a condição de que a agressão cesse.

Teerã busca diplomacia, mas não descarta novas intervenções

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, utilizou a rede social X para reforçar a posição do país. Ele afirmou que o Irã prioriza uma **solução diplomática**, mas que não hesitará em realizar novas intervenções militares se necessário. “Nossa prioridade é a segurança nacional e a tranquilidade do povo”, declarou Pezeshkian.

Pezeshkian enfatizou a dualidade da estratégia nacional: “Diplomacia e defesa são as duas asas do poder nacional, nem abandonamos o campo de batalha, nem a mesa de negociações”. Ele concluiu com uma nota de otimismo, “Com a ajuda de Deus, com unidade e racionalidade, o Irã sairá vitorioso desta prova também”.

Trump anuncia busca por cessar-fogo e critica “estupidez”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, havia anunciado pouco antes o **iminente fim dos ataques** entre os dois países. Em sua plataforma Truth Social, Trump expressou insatisfação com a retomada dos confrontos e pediu o retorno imediato da trégua. Ele afirmou que um cessar-fogo estava sendo buscado e criticou a “estupidez” que, segundo ele, estaria atrapalhando as negociações para um acordo de paz.

“Ambos os lados, Israel e Irã, estão buscando um cessar-fogo imediato!”, escreveu Trump. Ele acrescentou que as negociações finais para a “paz” estão em andamento, mas que podem ser prejudicadas pela “ignorância ou estupidez”. O presidente americano também garantiu que o bloqueio, presumivelmente sanções, permanecerá em vigor até que um “acordo final” seja alcançado, e que “as coisas devem avançar rapidamente”.

EUA acusados pelo Irã de responsabilidade pelas violações

Apesar das declarações de Trump, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, atribuiu aos **Estados Unidos responsabilidade direta** pelas recentes violações do cessar-fogo. Segundo Baghaei, os novos ataques apenas agravam o “processo diplomático caótico” com Washington e aumentam a desconfiança de Teerã em relação aos EUA.

O porta-voz iraniano argumenta que Israel não age de forma independente, mas sim **sempre consultando Washington**. Essa percepção complica ainda mais as relações entre o Irã e os Estados Unidos, minando os esforços para uma desescalada.

Ataques ao Líbano geram discórdia entre EUA e Israel

Os ataques de Israel ao Líbano também foram um ponto de atrito com o presidente americano. Trump havia garantido na semana passada que Israel não voltaria a bombardear o Líbano, mas as incursões continuaram. Essas desavenças geraram uma discussão entre Trump e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu.

Trump confirmou ter chamado Netanyahu de “completamente louco” devido aos ataques israelenses no Líbano e criticou as incursões. A polêmica se refere aos constantes ataques de Israel ao vizinho Líbano, mesmo com o cessar-fogo em vigor no conflito do Oriente Médio. O Paquistão, que mediava as negociações, e o Irã insistem que o Líbano estava contemplado na trégua, enquanto EUA e Israel defendiam que a trégua se aplicava apenas a território iraniano e aos países do Golfo Pérsico.

Na semana anterior, Trump havia afirmado que Israel e o grupo terrorista Hezbollah haviam concordado em fazer uma trégua nos ataques no Líbano e no norte de Israel. No entanto, a luta de Israel contra o Hezbollah, grupo libanês financiado pelo Irã, continuou com ataques constantes no norte de Israel.