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Irã: Ruas Vazias e Policiamento Pesado Marcam Retorno Parcial da Internet Após Dias de Protestos e Vandalismo

Irã: Ruas Vazias e Policiamento Pesado Marcam Retorno Parcial da Internet Após Dias de Protestos e Vandalismo

Irã Restabelece Comunicações Externas em Meio a Tensão Pós-Protestos

Após uma semana de isolamento digital, o Irã retomou parcialmente o acesso à internet e às ligações internacionais nesta terça-feira (13). A medida ocorre em meio a uma forte repressão aos protestos que varreram o país, deixando um rastro de destruição e um clima de apreensão.

Relatos de cidadãos anônimos, que temem represálias, descrevem uma capital, Teerã, com ruas desertas, forte policiamento e prédios governamentais incendiados. O acesso a aplicativos de mensagens e sites estrangeiros permanece bloqueado, com apenas plataformas locais autorizadas pelo governo em funcionamento.

A comunicação com o exterior foi cortada pelo governo na semana passada como parte de uma estratégia para conter as manifestações, que se iniciaram em dezembro com foco em questões econômicas, mas evoluíram para um clamor contra o regime dos aiatolás. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Associated Press.

Cenário de Tensão e Vandalismo em Teerã

Moradores de Teerã descrevem um cenário de vigilância intensa, com policiais antimotim, membros da força voluntária Basij e agentes à paisana patrulhando cruzamentos importantes. O uso de equipamentos como capacetes, coletes à prova de balas, cassetetes, escudos, espingardas e lançadores de gás lacrimogêneo é relatado.

O vandalismo também marcou os dias de isolamento. Vários bancos e repartições públicas foram incendiados, e caixas eletrônicos foram destruídos. Apesar de lojas estarem abertas, o movimento de pedestres nas ruas é mínimo, refletindo o clima de incerteza e medo.

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Balanço de Vítimas e Acusações Mútuas

Um membro do governo iraniano, em declaração à agência de notícias Reuters, afirmou que cerca de 2.000 pessoas morreram durante a repressão aos protestos. A mesma fonte culpou os manifestantes, classificados como “terroristas”, pelas mortes de civis e agentes de segurança.

Por outro lado, o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, expressou horror com a repressão a protestos pacíficos. O Irã, oficialmente, não confirmou o número de mortos. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, declarou que a situação estava “sob controle total” e acusou os Estados Unidos e Israel de fomentarem a desordem.

Isolamento e Informações Divergentes

Organizações de direitos humanos, como a HRANA, reportam números diferentes, com 538 mortos (490 manifestantes e 48 policiais) e mais de 10.670 prisões. A falta de comunicação oficial e o isolamento do país dificultam a confirmação de dados precisos.

O chefe da polícia iraniana, Ahmad-Reza Radan, admitiu um “escalonamento do nível de confronto” com os manifestantes, enquanto a Guarda Revolucionária reafirmou o compromisso com a segurança nacional. O presidente Masoud Pezeshkian buscou um diálogo, mas também acusou potências estrangeiras de “semear caos e desordem”.

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