Irã realiza manobras militares e fecha parcialmente o Estreito de Ormuz, vital para o comércio global de petróleo, em um momento crítico de negociações nucleares com os Estados Unidos.
O Irã iniciou o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, um corredor marítimo crucial para o transporte de petróleo, nesta terça-feira (17). A manobra ocorre no contexto de exercícios militares promovidos pela Guarda Revolucionária iraniana, segundo informações da agência de notícias Fars.
A ação levanta preocupações significativas sobre a segurança energética global, dado que o estreito é por onde escoa cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo. Paralelamente, negociadores dos Estados Unidos e do Irã se reúnem em Genebra para discutir o controverso programa nuclear iraniano.
Este cenário de tensão militar e diplomática simultânea intensifica o debate sobre o futuro das relações entre os dois países e o impacto no mercado de energia. As informações foram divulgadas pela agência de notícias iraniana Fars.
Exercícios militares e precauções de segurança no Estreito de Ormuz
De acordo com a agência Fars, o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, localizado ao sul do Irã, está previsto para durar algumas horas. A medida é justificada como uma precaução de segurança, necessária para a realização dos exercícios militares da Guarda Revolucionária iraniana na rota de exportação de petróleo.
Os exercícios, anunciados na segunda-feira, aumentaram as tensões em um momento já delicado das relações com os Estados Unidos. A presença de dezenas de navios de guerra norte-americanos na região adiciona uma camada extra de complexidade e risco.
Em ocasiões anteriores, o Irã já havia ameaçado fechar o estreito em caso de ataque, uma ação que poderia bloquear um quinto do fluxo global de petróleo, resultando em uma elevação acentuada nos preços do petróleo bruto.
Negociações nucleares em Genebra: EUA buscam restrições ao programa iraniano
As negociações entre Estados Unidos e Irã em Genebra têm como foco principal as restrições ao programa nuclear iraniano. O governo dos EUA, sob a liderança de Donald Trump, exige um acordo que limite o enriquecimento de urânio por parte do Irã e ameaça com ações militares caso as negociações fracassem.
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, advertiu que as tentativas dos EUA de derrubar seu governo fracassarão. Ele declarou que, embora o exército americano seja forte, pode sofrer um golpe significativo. A República Islâmica é governada por clérigos desde a Revolução de 1979.
As negociações, mediadas por Omã, contam com a participação de enviados americanos como Steve Witkoff e Jared Kushner, além do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi. Donald Trump afirmou que participará das conversas de forma indireta, expressando confiança de que o Irã deseja alcançar um acordo para evitar as consequências de um não acordo.
Diferenças e exigências nas conversas nucleares
As negociações nucleares entre EUA e Irã enfrentam grandes divergências. Washington exige que Teerã encerre seus programas nuclear e de mísseis, além de cessar o apoio a grupos armados na região. Por outro lado, o regime iraniano, liderado por Khamenei, afirma que negociará apenas sobre seu programa nuclear.
Uma autoridade iraniana sênior indicou que o sucesso das negociações em Genebra depende da ausência de exigências irrealistas por parte dos EUA e de sua seriedade em suspender as sanções econômicas que afetam o Irã. O país está disposto a diluir seu estoque de urânio enriquecido em troca do fim das sanções.
Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o Irã possui aproximadamente 440 kg de urânio enriquecido a 60%, um nível próximo ao necessário para a fabricação de uma bomba nuclear. O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, declarou recentemente que o país está aberto a inspeções da AIEA para comprovar a natureza pacífica de seu programa nuclear, mas não cederá a exigências excessivas dos EUA.
Tensão militar e o programa nuclear iraniano
O presidente Donald Trump tem alternado entre sinais de esperança por um acordo nuclear e ameaças diretas ao regime de Khamenei. Na semana passada, Trump ameaçou tomar “medidas muito duras” caso as negociações fracassem e enviou o porta-aviões USS Gerald Ford para a região, somando-se ao grupo de ataque do USS Abraham Lincoln.
As Forças Armadas dos EUA estão se preparando para a possibilidade de operações contra o Irã que poderiam durar semanas, caso Trump ordene um ataque. Washington e Israel acreditam que o Irã busca desenvolver armas nucleares, o que representaria uma ameaça existencial para Israel.
O Irã, por sua vez, sustenta que seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos, apesar de ter enriquecido urânio a níveis superiores aos necessários para geração de energia e próximos aos de uma arma nuclear. O país é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP).