Irã classifica sanções dos EUA como “terrorismo de Estado” e clama por intervenção da ONU
O governo do Irã reagiu com veemência às novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, classificando-as como um ato de “terrorismo de Estado” e um “crime contra a humanidade”. Em um comunicado oficial divulgado nesta sexta-feira (28), o Ministério das Relações Exteriores iraniano declarou que as medidas adotadas pelo governo de Donald Trump são “ilegais e repreensíveis”.
A chancelaria iraniana apela à comunidade internacional, incluindo os órgãos das Nações Unidas, para que se posicionem contra as ações americanas e “defendam o Estado de Direito”. O comunicado enfatiza que o Irã está determinado a utilizar todas as suas capacidades para se defender contra o que descreve como um “ataque militar e econômico combinado dos EUA e de Israel”.
Segundo o governo iraniano, a “guerra econômica” promovida pelos Estados Unidos é uma “ferramenta impiedosa”, projetada especificamente para causar dor e sofrimento à população. As sanções, de acordo com Teerã, colocam em “sério risco a saúde e os meios de subsistência de milhões de civis”, conforme divulgado pelo próprio governo iraniano.
Temor e filas nos postos de gasolina do Irã
A notícia das novas sanções americanas gerou apreensão nas ruas do Irã. Na terça-feira (25), formaram-se longas filas em postos de gasolina na capital, Teerã, diante do temor de uma nova disparada nos preços dos combustíveis. Imagens divulgadas pela AFP registraram a movimentação intensa de veículos.
Em resposta à situação, o chefe de gabinete do presidente iraniano, Mohsen Haji-Mirzaei, anunciou que o governo irá rever as cotas de combustível. Ele explicou que as cotas serão reduzidas sem alteração no preço, mas que quem desejar comprar gasolina adicional à cota terá um custo maior, conforme informado à TV estatal.
População iraniana sente o impacto das restrições
Apesar das tentativas do governo iraniano de minimizar os efeitos das sanções, argumentando que o país já convive com restrições econômicas há décadas, o clima nas ruas é de preocupação. Um corretor de imóveis que conversou com a agência de notícias relatou que as novas restrições já estão surtindo efeito, mesmo com a resiliência da população.
Ele destacou que “é lógico que as sanções afetem a vida das pessoas” e que “há pessoas sofrendo, tanto as que têm uma boa situação econômica quanto as que têm menos recursos”, evidenciando o impacto generalizado das medidas econômicas impostas pelos Estados Unidos.
Pressão americana visa “asfixia econômica” do Irã
As novas medidas impostas pelo governo Trump representam mais um capítulo na escalada da pressão dos EUA sobre o Irã. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, apresentou na segunda-feira (24) um plano para intensificar essa pressão, prometendo promover uma “asfixia econômica” do país. Ele também ameaçou impor consequências a nações que não aderirem à campanha americana.
O governo iraniano respondeu com um tom de desafio. O ministro da Economia, Ali Madanizadeh, afirmou que o país estava se preparando há muito tempo para novas sanções. Segundo ele, os Estados Unidos “fracassaram em todas as ocasiões” e parecem buscar “uma nova derrota”, demonstrando confiança na capacidade do Irã de resistir à pressão.