Inteligência dos EUA levanta dúvidas sobre cooperação de líder da Venezuela com Washington

Fontes ligadas à agência de notícias Reuters revelam que relatórios da inteligência americana apontam incertezas quanto à disposição da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, em cooperar com o governo Trump. A principal preocupação de Washington reside na possibilidade de Rodríguez não romper formalmente laços com aliados estratégicos dos Estados Unidos, como Irã, China e Rússia.

Autoridades americanas têm externado publicamente o desejo de que a Venezuela rompa relações com essas nações, incluindo a expulsão de seus diplomatas e assessores. No entanto, a líder venezuelana, que contou com a presença de representantes desses países em sua posse, ainda não anunciou publicamente tais medidas, gerando apreensão em Washington.

A apreensão americana se intensifica diante da possibilidade de Rodríguez não aderir integralmente à estratégia dos EUA para o país sul-americano. Essa incerteza foi destacada em relatórios de inteligência, segundo fontes que preferiram não se identificar. A situação é acompanhada de perto, pois o governo Trump busca conter a influência de seus adversários no hemisfério ocidental e explorar as vastas reservas de petróleo venezuelanas.

A complexa relação entre Venezuela e seus aliados internacionais

A diretriz americana para a Venezuela implica um distanciamento de seus parceiros mais próximos no cenário internacional. O Irã tem sido um suporte crucial para a Venezuela na manutenção de suas refinarias de petróleo, enquanto a China tem recebido o produto energético como forma de pagamento de dívidas. A Rússia, por sua vez, tem fornecido armamentos significativos às forças armadas venezuelanas.

Além desses, Cuba também figura na lista de países que os EUA desejam que a Venezuela abandone. Havana tem oferecido apoio em segurança e inteligência, em troca de petróleo venezuelano a preços reduzidos. A possível ruptura desses laços representa um dilema para a Venezuela, que depende desses acordos para sua estabilidade econômica e política.

Medidas de Rodríguez e a estratégia americana em jogo

Desde a deposição de Nicolás Maduro, Delcy Rodríguez tem adotado medidas visando apaziguar Washington. Entre elas, destacam-se a libertação de presos políticos e a autorização para a venda de milhões de barris de petróleo aos Estados Unidos. Essas ações indicam uma tentativa de aproximação, apesar de Rodríguez ter expressado publicamente seu descontentamento com a intervenção americana.

O governo Trump, por sua vez, não vê uma alternativa imediata senão trabalhar com Rodríguez, visto o forte apoio público que lhe foi concedido. Contudo, há um plano B em desenvolvimento, com autoridades americanas estabelecendo contatos com altos funcionários militares e de segurança venezuelanos, caso seja necessário mudar a abordagem.

A oposição venezuelana e as perspectivas futuras

Relatórios de inteligência também analisaram o papel da líder da oposição, María Corina Machado. Embora vista como uma opção de longo prazo, sua capacidade de governar com sucesso é questionada devido à falta de laços fortes com os serviços de segurança e o setor petrolífero. Machado, que alega ter vencido as eleições de 2024, mantém popularidade entre os venezuelanos.

O presidente Trump já expressou o desejo de envolver Machado na liderança do país, embora sem detalhes específicos. Ela é bem vista pela Casa Branca e considerada uma potencial figura de liderança futura na Venezuela. No entanto, por ora, sua participação em um cargo consultivo está sendo considerada, sem decisões definitivas tomadas até o momento.