Indústria Brasileira Sobe 0,6% em 2025 Pressionada por Juros Altos: Setores e Impactos Revelados

A indústria brasileira fechou o ano de 2025 com um crescimento modesto de 0,6%, um resultado que reflete a forte pressão exercida pela política monetária restritiva, com juros em patamares elevados. Apesar de ser o terceiro ano consecutivo de expansão, a perda de ritmo nos últimos meses do ano é um sinal de alerta para o setor.

Os dados, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (3), indicam uma desaceleração significativa, especialmente no segundo semestre. Enquanto o primeiro semestre acumulou um avanço de 1,2%, o segundo semestre registrou uma variação nula (0%), com um recuo de 1,9% entre setembro e dezembro.

Essa desaceleração é atribuída principalmente à alta da taxa básica de juros, a Selic, que encarece o crédito, adia decisões de investimento das empresas e impacta o consumo das famílias. Conforme as informações divulgadas pelo IBGE, o setor industrial sentiu diretamente o aperto da política monetária.

Desempenho Setorial em 2025: Entre Avanços e Recuos

No acumulado de 2025, a indústria apresentou resultados mistos entre suas grandes categorias econômicas. Houve crescimento nos setores de bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (1,5%). Por outro lado, os setores de bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%) registraram queda na produção.

Dentre as 25 atividades pesquisadas pelo IBGE, 15 mostraram expansão. Destaque para as indústrias extrativas, com alta de 4,9%, e os produtos alimentícios, com 1,5%. No geral, a produção de 49,6% dos 789 produtos investigados apresentou alta em 2025.

O Impacto Direto da Alta da Selic na Economia Industrial

André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, explica que os juros altos são o principal fator por trás da perda de ritmo da indústria. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, analisa.

Ele detalha que o patamar elevado da Selic leva as empresas a adiar investimentos em novas máquinas e equipamentos. Além disso, a política monetária restritiva também afeta as famílias, resultando em uma “desaceleração importante” no consumo de bens duráveis nos últimos meses de 2025.

A elevação dos juros também contribui para o aumento da inadimplência, pois torna os empréstimos mais caros. Um exemplo claro desse cenário foi a produção de veículos automotores, que recuou 8,7% em dezembro, o pior resultado mensal, influenciado também por paralisações e férias coletivas.

Contexto Econômico: Inflação e a Política de Juros

A política de juros elevados foi iniciada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro de 2024, quando a Selic começou a subir de 10,5% para 15% em junho de 2025, como medida para conter a inflação crescente.

O índice oficial de inflação, o IPCA, passou praticamente todo o ano de 2025 fora do intervalo de tolerância da meta do governo. A alta da Selic, ao encarecer o crédito e desestimular investimentos e consumo, visa justamente esfriar a economia e controlar a inflação.

O efeito colateral dessa política é a marcha lenta da economia, que pode impactar a geração de empregos. Apesar desse cenário restritivo, o IBGE divulgou recentemente que a taxa de desemprego em 2025 atingiu uma mínima histórica, mostrando uma resiliência do mercado de trabalho mesmo diante das pressões econômicas.