IGP-M Volta a Subir em Janeiro Pressionado por Insumos e Serviços, Indicando Inflação em Diferentes Setores

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) iniciou o ano de 2026 com um avanço de 0,41% em janeiro. Este resultado marca uma reversão após um período de recuo no mês anterior, refletindo pressões tanto nos preços ao produtor quanto ao consumidor. Os dados foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta quinta-feira (29).

A expectativa do mercado, segundo pesquisa da Reuters, era de uma alta exatamente de 0,41%. Com o desempenho de janeiro, o índice acumula um recuo de 0,91% nos últimos 12 meses. A FGV aponta que a variação em janeiro foi influenciada por diversos fatores em diferentes segmentos da economia.

Conforme informação divulgada pela FGV, o IGP-M em janeiro de 2026 apresentou uma alta de 0,41%, após ter recuado no mês anterior. A variação foi impactada tanto pelos preços ao produtor quanto ao consumidor, evidenciando a complexidade do cenário inflacionário.

Produtores Sentem Aumento com Minério de Ferro e Alimentos

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que representa 60% do índice geral e mede a variação dos preços no atacado, saiu de uma queda de 0,12% em dezembro para uma alta de 0,34% no primeiro mês do ano. Essa mudança foi significativamente influenciada por commodities importantes.

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, destacou que a alta no IPA foi impulsionada principalmente pelo minério de ferro, tomate e carne bovina. Esses produtos básicos, ligados à indústria extrativa e ao setor alimentício, concentraram a pressão de alta.

O minério de ferro, em particular, registrou uma aceleração expressiva, passando de uma alta de 2,42% para 4,47%. Segundo Dias, esse movimento, isoladamente, contribuiu de forma substancial para que o IPA retornasse a um terreno positivo.

Consumidor Enfrenta Preços Mais Altos em Serviços e Combustíveis

Por outro lado, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no índice geral, mostrou uma aceleração em sua alta, passando de 0,24% em dezembro para 0,51% em janeiro. Essa desaceleração na alta dos preços ao consumidor foi impulsionada por reajustes em serviços e bens específicos.

As mensalidades escolares tiveram um impacto relevante, com aumentos de 3,83% para o ensino fundamental e 3,13% para o ensino superior. Além disso, a gasolina registrou uma alta de 1,02%, e o tomate, que já pressionava os produtores, também subiu 16,93% no varejo, sustentando a aceleração do IPC.

Construção Civil Mantém Ritmo de Alta em Janeiro

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) também apresentou uma aceleração em janeiro, registrando uma alta de 0,63%. Este índice vinha de uma elevação de 0,21% em dezembro, indicando um aumento nos custos do setor de construção civil no início do ano.

O IGP-M, em sua metodologia, abrange a variação de preços ao produtor, ao consumidor e na construção civil, com o período de coleta de dados compreendido entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês de referência. A análise dos componentes do índice revela as diferentes dinâmicas inflacionárias em cada etapa da cadeia produtiva e de consumo.