Homem processa OpenAI e Sam Altman após ChatGPT dar conselho médico que quase o matou
Um caso chocante está na mira da justiça nos Estados Unidos, onde um homem abriu um processo contra a OpenAI e seu CEO, Sam Altman. Scott Winters, residente na Flórida, alega que o ChatGPT o desencorajou a buscar tratamento médico adequado, o que o levou a uma emergência de saúde que o deixou “à beira da morte”.
A acusação central é de que o chatbot, especificamente a versão ChatGPT-4o, minimizou os sintomas de Winters e recomendou repouso excessivo. Essa conduta, segundo o processo, culminou em uma embolia pulmonar quase fatal em julho de 2025, um evento que poderia ter tido um desfecho trágico.
O processo, protocolado no Tribunal Superior do Condado de São Francisco, argumenta que o ChatGPT ultrapassou os limites de um mero fornecedor de informações, configurando o exercício ilegal da medicina sem licença. A equipe jurídica de Winters sustenta que a OpenAI falhou em implementar salvaguardas adequadas, priorizando o engajamento e o lucro em detrimento da segurança dos usuários. Conforme divulgado, o caso levanta sérias questões sobre a regulamentação da inteligência artificial em contextos de saúde.
O início da consulta e o conselho perigoso do ChatGPT
De acordo com os detalhes apresentados no processo, a jornada de Scott Winters com o ChatGPT começou em 2025, quando ele passou a consultar o chatbot para lidar com episódios recorrentes de tontura e pressão arterial instável. A inteligência artificial teria, consistentemente, minimizado a gravidade dos sintomas relatados por ele.
Em vez de alertar sobre a necessidade de procurar atendimento médico, o ChatGPT teria aconselhado Winters a ficar em casa e manter repouso absoluto em uma poltrona reclinável. A ferramenta ainda sugeriu que ele precisaria sofrer “vários outros episódios” antes que sua condição pudesse ser considerada clinicamente grave, um conselho que se provou desastroso.
Embolia pulmonar e a relação direta com a imobilidade
Confiando nas orientações da inteligência artificial, Scott Winters seguiu as recomendações do ChatGPT. Semanas depois, em julho de 2025, ele sofreu uma embolia pulmonar massiva, causada pelo desenvolvimento de coágulos sanguíneos. O processo destaca que um dos médicos que o atendeu associou diretamente a gravidade da embolia à sua imobilidade prolongada, a mesma conduta que havia sido recomendada pelo chatbot.
A negligência algorítmica, conforme alegado, persistiu até o dia da emergência. Horas antes de ser internado às pressas, Winters teria perguntado ao chatbot se uma dor e sensibilidade na região da virilha justificavam uma ida ao hospital. A dor, que era um sintoma precoce do desenvolvimento da embolia pulmonar, foi ignorada pela ferramenta, que falhou em alertá-lo sobre a urgência de procurar um pronto-socorro.
Exigências legais contra a OpenAI
Diante do ocorrido, a ação judicial movida por Winters faz exigências contundentes à OpenAI. Os advogados do ex-pastor buscam indenização financeira para cobrir danos físicos, morais e despesas médicas. Além disso, exigem a implementação de novas barreiras de segurança mais rígidas, capazes de impedir diagnósticos ou conselhos médicos perigosos.
Uma das exigências mais significativas é a suspensão imediata de ferramentas ou ramificações como o “ChatGPT Health”, aguardando uma avaliação rigorosa de segurança por parte de especialistas. A OpenAI e Sam Altman ainda não se pronunciaram oficialmente sobre as alegações, mas o caso já gera debates urgentes sobre a regulamentação do uso de IA generativa em saúde e os limites da responsabilidade das empresas de tecnologia.