Haddad mira no agro paulista para fortalecer candidatura ao governo de SP, buscando aliança estratégica para o interior
Fernando Haddad, nomeado pelo presidente Lula para disputar o Governo de São Paulo, está em busca de um vice com forte ligação ao agronegócio. O objetivo principal é **ampliar a base eleitoral petista no interior do estado**, região onde o candidato Tarcísio de Freitas (Republicanos) obteve expressiva vantagem em 2022.
Na eleição anterior, Haddad venceu na região metropolitana, mas foi superado no interior por Tarcísio de Freitas, que conquistou 7,9 milhões de votos contra 4,7 milhões do petista. Essa disparidade no interior paulista é vista como um obstáculo a ser superado, e a estratégia de buscar um vice ligado ao agro visa justamente diminuir essa diferença.
A tentativa de formar uma aliança com o setor agropecuário é inspirada no sucesso da chapa de Lula com Geraldo Alckmin (PSB) em 2022, que uniu grupos políticos historicamente adversários e foi crucial para a vitória nacional do petista. A busca por um vice com perfil agro é uma tentativa de replicar esse modelo de sucesso em São Paulo, conforme informações divulgadas por aliados de Haddad.
O desafio de dialogar com o agronegócio
A escolha de um vice ligado ao agro para Haddad enfrenta um desafio considerável: a **dificuldade histórica do PT em dialogar com esse setor**, que majoritariamente prefere políticos de direita. Embora segmentos do agronegócio com maior valor agregado, como processamento de carnes e fabricação de óleos vegetais, mantenham alguma interlocução com o governo petista, a aceitação de um vice na chapa de Haddad por representantes desses grupos é considerada improvável.
Sondagem a Rodrigo Garcia e outras alternativas em pauta
Diante da escassez de nomes que se encaixem no perfil desejado, aliados de Haddad cogitam uma manobra política complexa: sondar o ex-governador **Rodrigo Garcia**. Atualmente sem cargo e sem partido, Garcia disputou o governo paulista em 2022 pelo PSDB e, na reta final, declarou apoio a Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro. Políticos próximos avaliam que Garcia possui proximidade com Tarcísio e que dificilmente aceitaria uma aliança com o PT.
Outras figuras políticas em articulação para a chapa de Lula em SP
A candidatura de Haddad ao governo paulista, embora com poucas expectativas de vitória contra Tarcísio, tem como objetivo principal **dar volume à campanha de Lula em São Paulo**, o estado com o maior eleitorado do país. Lula articula uma chapa com diversos nomes de seu primeiro escalão. A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), já confirmou sua candidatura ao Senado pelo estado, possivelmente trocando de partido, já que o MDB paulista tem proximidade com Tarcísio. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), também é cotada para o Senado e, em um cenário alternativo, poderia ser vice de Haddad, o que aumentaria o desgaste com o agronegócio devido à impopularidade da ministra no setor. O ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), também busca espaço na chapa, com seu futuro ainda indefinido.
Prazos e definições das candidaturas
Os partidos têm até o dia 5 de agosto para oficializar suas candidaturas em convenções. A troca de legenda para os candidatos interessados em disputar a eleição é permitida até 3 de abril, e o primeiro turno das eleições ocorrerá em 4 de outubro. A definição do vice de Haddad e a composição completa da chapa são pontos cruciais para a estratégia petista no estado.