Países Correm Contra o Tempo Para Amortecer Choque do Petróleo com Medidas de Emergência
A partir desta quarta-feira, 1º de abril de 2026, governos globais iniciam uma corrida contra o tempo para mitigar os efeitos da escalada nos preços do petróleo. A crescente tensão no Oriente Médio, com envolvimento de Irã, Estados Unidos e Israel, desestabilizou o Estreito de Ormuz, rota vital por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo.
Incidentes com embarcações e restrições de tráfego na região impactaram o fluxo da commodity, elevando os preços internacionais e forçando intervenções governamentais em diversas nações. O cenário exige ações rápidas para proteger economias e consumidores dos efeitos diretos da alta do petróleo.
O Brasil, Japão, Rússia, Portugal, Alemanha, Noruega e Austrália estão entre os países que anunciaram ou estudam medidas emergenciais para lidar com a crise energética. As estratégias variam desde subsídios diretos até restrições temporárias de exportação, demonstrando a urgência em estabilizar o mercado e garantir o abastecimento. Conforme informações divulgadas, a instabilidade no fornecimento de petróleo exige respostas coordenadas.
Brasil Implementa Subsídio Direto para Diesel Importado
O governo brasileiro, através do Ministério da Fazenda, anunciou um novo plano para reduzir o custo do diesel importado. A medida substitui a ideia inicial de desonerar o ICMS, optando por um modelo de subsídio direto aos importadores, com divisão de custos entre União e estados. O objetivo é agilizar a aplicação da política, conforme declarou o ministro Dario Durigan.
A proposta prevê que cada esfera de governo aporte cerca de R$0,60 por litro, compensando o ICMS médio de R$1,20. A medida, com validade prevista até maio, terá um impacto fiscal estimado em R$3 bilhões mensais, similar a uma isenção tributária. Os estados devem responder à proposta nos próximos dias.
Japão Flexibiliza Uso de Usinas a Carvão e Busca Diversificar Fontes
Em uma ação para reduzir a dependência do gás natural liquefeito (GNL), cujo abastecimento foi afetado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, o Japão flexibilizará por um ano as regras para o uso de usinas termelétricas a carvão. O Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão suspenderá temporariamente o limite de utilização para usinas menos eficientes.
Apesar de manter estoques de GNL, o país já liberou reservas de petróleo e oferece subsídios à gasolina. A busca por fornecedores alternativos de energia é uma prioridade para garantir a segurança energética japonesa diante da crise do petróleo.
Rússia Considera Proibir Exportação de Gasolina Para Garantir Abastecimento Interno
A Rússia estuda a proibição das exportações de gasolina até 31 de julho, conforme orientação do vice-primeiro-ministro Alexander Novak. A medida visa garantir o abastecimento interno e conter a volatilidade de preços, especialmente após episódios de escassez em algumas regiões. O governo russo afirma que o processamento de petróleo bruto permanece estável, mas restrições às exportações têm sido recorrentes.
Em 2023, a Rússia exportou aproximadamente 5 milhões de toneladas de gasolina. A decisão de proibir temporariamente as exportações reflete a preocupação em manter a oferta doméstica diante da instabilidade global do mercado de petróleo.
Europa Implementa Medidas e Subsídios para Mitigar Alta nos Combustíveis
Portugal propôs um subsídio temporário ao diesel de 10 cêntimos de euro por litro para setores como agricultura, transporte público, pesca e táxis. A medida, que depende de aprovação parlamentar e pode vigorar até 30 de junho, será acionada caso os preços do diesel ultrapassem a média de março. O custo estimado pode chegar a 450 milhões de euros.
Na Alemanha, o Parlamento aprovou um pacote que limita os aumentos de preço de combustíveis a uma vez por dia e endurece regras antitruste para maior transparência. Há discussões sobre taxação de lucros extraordinários de empresas de energia e criação de um teto de preços. A Noruega aprovou a redução temporária de impostos sobre gasolina e diesel até 1º de setembro, gerando uma perda de receita estimada em cerca de US$ 342 milhões, além de cortes em impostos sobre emissões de CO₂.
A Austrália anunciou um pacote emergencial, incluindo redução de 50% no imposto sobre combustíveis por três meses, visando uma economia de 26 centavos por litro para os consumidores. O país também lançou um plano nacional de segurança energética para garantir o abastecimento em caso de interrupções, com um custo estimado de 2,55 bilhões de dólares australianos.